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Flores brancas da Lippia alba (erva-cidreira-brasileira).




Em grande parte da literatura a Erva-cidreira-brasileira ou erva-cidreira-de-arbusto (Lippia alba) é descrita como possuindo flores azul-arroxeadas ou róseo-violáceas, como na foto ao lado. Nem sabia que a presença de flores brancas eram incomuns a espécie, que assim floriu em minha residência. Fato talvez explicado pela diferença de clima onde ela já vinha sendo cultivada, uma vez que na época eu residia em Salvador, região de clima tropical, sendo a Lippia alba uma espécie de clima subtropical ou temperado.

Melissa???


Nem me lembro quando foi a primeira vez que vi um arbusto de erva-cidreira. Coisa de menino sentir o aroma das folhas. Faço isso hoje com meu filho, vou para garagem e lhe apresento os diversos aromas plantados em meu pequeno “quintal”. É cheiro de hortelã, diversos tipos de boldos, capim-santo, erva-cidreira-brasileira, mirra, manjericão, limão; passo a mão dele nos minúsculos pêlos das folhas do tomateiro que guardam todo o perfume do tomate. Com uma cara muito engraçada ele vai sentindo os aromas e me olha com satisfação. De vez em quando me surpreende com uma folha na mão me pedindo para cheirar.

Acontece que estes arbustos de erva-cidreira que vi aos montes na verdade são de uma planta conhecida popularmente como erva-cidreira-de-arbusto ou erva-cidreira-brasileira e não como comumente as pessoas a denominam de erva-cidreira ou melissa.

Logo que me envolvi com o estudo das plantas medicinais, sempre que via alguma plantada em um quintal ou sendo comercializada, eu aproveitava para bater um papo com a pessoa responsável e aprender um pouco mais sobre estas ervas. Um fato me deixou curioso. As pessoas de um modo geral acham que a erva-cidreira-brasileira é a melissa. Muitas pessoas que tive contato não conhecem a melissa e quando eu digo a elas a respeito me olham ressabiadas, sempre achando se tratar da planta que tem em seus quintais, que se trata na verdade da Lippia alba (FOTO DESTE TEXTO).

Quando tratamos as plantas pelos nomes populares podem ocorrer confusões. Pois a depender da cidade, da região e do país que ela se encontra seu nome popular pode variar muito. Por isso, o correto é tratá-las pelo nome científico.

No caso das plantas a que me reviro, a melissa tem o nome científico de Melissa officinalis e a erva-cidreira-de-arbusto ou erva-cidreira-brasileira tem o nome científico de Lippia alba. Basta você digitar estes nomes no Google, por exemplo, e verá que se tratam de plantas diferentes. E há ainda quem às confundam com o capim-santo ou capim-cidreira, de nome científico Cymbopogon citratus.

Não é comum a Melissa officinalis florir em algumas regiões do Brasil. Sempre que encontro um produtor de Melissa officinalis pergunto se a planta floresce em sua região e a resposta é sempre negativa. Por isso não tenho nenhuma foto das flores da Melissa officinalis, que ajudaria a identificar melhor a espécie.

Fotos e a descrição da Melissa officinalis e da Lippia alba já foram postadas anteriormente.

Melissa officinalis L. (Erva-cidreira).

2.4.7 - Melissa officinalis L. (Erva-cidreira).

2.4.7.1 - DESCRIÇÃO
Planta herbácea, perene, aromática, ramificada desde a base, ereta ou de ramos ascendentes, de 0,3 a 1,0 m de altura.
Caule em tufo.
Folhas opostas, oblongo-agudas, ovais, verde-claras e brilhantes, denteadas, de 3-6 cm de comprimento e olentes.
Flores pequenas inicialmente são brancas ou amareladas, reunidas em glomérulos, axilares. Quando adultas as flores permanecem brancas ou se tornam róseo-violáceas em umbela. O sistema radicular é rizomatoso, com um rizoma principal bem ramificado com raízes fibrosas.
O fruto é composto por quatro aquênios oblongos ou ovais, castanhos, lisos sem pelos.
(Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Selecções do reader’s digest, 1983; Hertwig, I.F.V., 1986).

* Ver fotos no anexo.




2.4.7.2 - USOS
a) Dores de cabeça, problemas digestivos, cólicas intestinais, ansiedade e nervosismo.
Infusão (chá): preparado adicionando-se água fervente em uma xícara (chá) contendo uma colher (sobremesa) de folhas e ramos frescos ou secos bem picados, na dose de uma xícara (chá) pela manhã e outra à noite (Lorenzi, H. et al., 2002).
Infusão: uma xícara (café) de folhas verdes picadas para ½ litro de água. Tomar uma xícara (chá) quatro vezes ao dia (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).

* Suas folhas e inflorescências são empregadas na forma de chá, de preferência com a planta fresca (Lorenzi, H. et al., 2002).

b) Banho relaxante.
Imersão: durante 15 minutos, o infuso, preparado pela adição de ½ litro de água fervente sobre 15 colheres (sopa) de folhas e ramos florais picados (Lorenzi, H. et al., 2002).

c) Picadas de insetos e entupimento de mamas.
Folhas em compressas (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).

d) Ferimentos.
Colocar folhas frescas esmagadas sobre ferimentos e cubra com band-aid (Ache tudo e região, 2008).

e) Febre de gripe.
Tomar 1/2 xícara de chá a cada 2 horas (Ache tudo e região, 2008).

2.4.7.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO
Embora seja antialérgica, pode irritar peles sensíveis (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
O uso em doses elevadas provoca eliminação de potássio do organismo (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).
Por vezes o efeito sedativo é antecedido de um curto período de excitação. A ingestão de 2 g de óleo essencial pode provocar sonolência, bradicardia, bradipneia e hipotensão (Cunha, A. P. da, 2003).

2.4.7.4 - CULTIVO
Originária na Europa e Ásia (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). Planta típica de climas temperados, mas quentes. Já está plenamente aclimatada no Brasil onde é cultivada em diversas regiões, sendo comum na Amazônia. (Hertwig, I.F.V., 1986; Jardim de Flores, 2008; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).
Cresce em tufos nos jardins ou nos seus arredores (Selecções do reader’s digest, 1983). Alguns agricultores procuram cultivar a Melissa em terrenos próximos a bosques, arroios e rios, em locais frescos e meio sombreados (Hertwig, I.F.V., 1986).

PROPAGAÇÃO
Por sementes (germinação é lenta), estacas (pedaços de ramos com 20 cm de comprimento) ou divisão de touceira (trazer junto à haste um pedaço de rizoma) (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Hertwig, I.F.V., 1986; Afitema, 2007; Guia Rural, 1990; Corrêa Junior, C. et al., 2006; Jardim de Flores, 2008).
A divisão de touceiras deve ser feita de preferência na primavera e, no momento do plantio, as partes retiradas da planta-mãe devem ser enterradas com cerca de 5 cm de profundidade. Na divisão de cada planta, deve-se dividir também o rizoma (Jardim de Flores, 2008).

PLANTIO
O ano todo, mas de preferência na primavera. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Afitema, 2007).

CLIMA
Temperado tropical e subtropical (Blanco, M. C. S. G., 2007; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). Prefere os climas temperados para quentes. Necessita receber bastante luz solar, mas não tolera o calor excessivo. (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Hertwig, I.F.V., 1986; Guia Rural, 1990; Jardim de Flores, 2008) Tem preferência pelo calor moderado, por uma umidade branda e crescendo em locais onde existe um pouco de sombra (Jardins e Plantas, ----?).
Escolha um local ensolarado, mas ela gosta também de meia sombra (Guia Rural, 1990). Tolera e se dá bem em locais parcialmente sombreados parte do dia. Em locais excessivamente sombreados o aroma das sumidades floridas e folhas é grandemente atenuado (Hertwig, I.F.V., 1986; Jardim de Flores, 2008).
Dificilmente resiste aos frios intensos e geadas (Hertwig, I.F.V., 1986; Guia Rural, 1990; Jardim de Flores, 2008)
Regar sem encharcar (Guia Rural, 1990).

SOLO
Gosta dos argilo-arenosos, profundos, férteis e ricos em matéria orgânica, contendo boa umidade, porém drenado. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Hertwig, I.F.V., 1986; Guia Rural, 1990; Jardim de Flores, 2008; Blanco, M. C. S. G., 2007).
Solos muito soltos, leves e secos, tornam as folhas amarelas e pouco aromáticas. Em solos demasiadamente úmidos, a planta sofre e também não produz bem (Hertwig, I.F.V., 1986).

COLHEITA
Retire as folhas na medida de sua necessidade. Ramos inteiros podem ser cortados e colocados à sombra para secar. Lembre-se de que durante a floração as folhas perdem parte de seu aroma, que transfere para as flores. Quando você quiser aproveitar as flores, elas devem ser colhidas logo que desabrocharem (Guia Rural, 1990; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).
Se for colher as folhas, ela deve ser colhida alguns dias antes do provável início da floração, ou seja, quando se perceber que os órgãos florais estão começando a se formar. Isto visa evitar que o óleo essencial e outras substâncias contidas na folha, se transfiram para as flores (Hertwig, I.F.V., 1986).
A colheita de folhas pode ser efetuada contando-se os ramos, ou todo o caule entre 8 a 10 cm acima da superfície do solo (Hertwig, I.F.V., 1986; Corrêa Junior, C. et al., 2006; Blanco, M. C. S. G., 2007).
Secar no escuro para manter a cor verde (Corrêa Junior, C. et al., 2006).

PRAGAS E DOENÇA
A única doença mencionada na literatura é ocasionada por um vírus que às vezes pode descolorir as folhas; este vírus pode ser evitado quando se proporciona boa luminosidade para as plantas (Hertwig, I.F.V., 1986). Atacada principalmente por vírus e formigas (Corrêa Junior, C. et al., 2006).



OUTRAS INFORMAÇÕES
Afofar a terra de vez em quando, para o solo respirar. Podas tornam seu desenvolvimento mais compacto. Bem cuidada pode viver até 10 anos, mas é conveniente replantá-la após quatro anos (Guia Rural, 1990; Corrêa Junior, C. et al., 2006; Hertwig, I.F.V., 1986).

Lippia alba (Mill)N. E. Brown (Erva-cidreira-brasileira).

2.4.5 - Lippia alba (Mill)N. E. Brown (Erva-cidreira-brasileira).

2.4.5.1 - DESCRIÇÃO
Subarbusto bianual, muito ramificado dicotomicamente, alcançando até 1,5 m de altura, raramente 2 m.
Folhas oblongo-agudas, opostas; abertas, de bordos serreados, de 3-6 cm de comprimento. Cor verde claro a escuro. Possui cheiro forte aromático, semelhante ao da erva-cidreira (Melissa officinalis).
Caule herbáceo de cor castanho claro. Seus ramos são finos, esbranquiçados, arqueados, longos e quebradiços.
Flores róseo-violáceas, azul-arroxeadas, “brancas”, reunidas em inflorescências axilares capituliformes de eixo curto e tamanho variável. Inflorescências compostas por um disco central de flores ainda não desenvolvidas rodeado por apenas três a cinco flores liguladas. Reunidas em umbelas.
Frutos drupáceos, globosos, de cor róseo-arroxeada.
Sementes são pouco visíveis por causa de seu diminuto tamanho.
Raízes fasciculadas, devido ao seu tipo comum de multiplicação assexuada.
(Lorenzi, H. et al., 2002; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Mattos, S. H. et al., 2006).
* Ver fotos no anexo.

2.4.5.2 - USOS
a) Ação calmante e espasmolítica suave. Alívio de pequenas crises de cólicas uterinas e intestinais, bem como no tratamento do nervosismo e estados de intranqüilidade (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000). Estomáquicos e carminativo (Lorenzi, H. et al., 2002).
Infusão: Uma colher (sopa) de folhas frescas para cada ½ litro de água. Tomar 4 a 6 xícaras de chá ao dia. (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

b) Dor de barriga e digestão.
Infusão: Usar 10 folhas (4g) numa xícara de água e tomar quando necessário. Para digestão, tomar após as refeições (Programa Municipal Fitoviva, 2008).

c) Bronquites, resfriados e infecções respiratórias.
Tintura: 100g de folhas para meio litro de álcool diluído (3 partes de álcool e 2 partes de água). Tomar uma colher de chá 3 vezes ao dia (Programa Municipal Fitoviva, 2008).

2.4.5.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO
Toxicologia: popularmente não se recomenda o uso por hipotensos (pressão baixa). (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008; Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).


2.4.5.4 - CULTIVO
Originária da América do Sul, especialmente Brasil, onde é nativa de quase todo o território (Mattos, S. H. et al., 2006). É encontrada como planta espontânea em terrenos abandonados e também cultivada em hortas domiciliares (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).

PROPAGAÇÃO
Facilmente cultivável por estaquia e devem-se utilizar estacas lenhosas com três gemas. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Herbário, 2008; Corrêa Junior, C. et al., 2006; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Mattos, S. H. et al., 2006).

PLANTIO
Primavera (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). O plantio pode ser feito diretamente no local definitivo ou através de mudas enraizadas com 30 dias de idade (Mattos, S. H. et al., 2006).

CLIMA
Subtropical e temperado. Não tolera excesso de calor ou frio. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).

SOLO
Gosta de solo rico em matéria orgânica, com boa drenagem (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). Vegeta em solos arenosos (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).
Em solos férteis ou de mediana fertilidade, não necessita de adubações complementares, já em solos pobres, deve-se utilizar esterco bovino curtido como adubo na quantidade de 2 Kg/m2 (Mattos, S. H. et al., 2006).
COLHEITA
Cinco meses após o plantio (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).Colhe-se os ramos floridos, 10-20 cm acima do solo. São feitas duas colheitas por ano (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Segundo Mattos, S. H. (et al., 2006) a primeira e segunda colheita devem ser realizadas com o arranquio apenas das folhas, puxando-as no sentido de baixo para cima dos seus ramos, respectivamente, aos quatro e seis meses de idade. Na terceira colheita, quando as plantas estão com oito meses, faz-se o corte dos ramos a uma altura de 30 cm do solo. A quarta colheita deve ser após quatro meses da terceira, com a mesma metodologia feita na primeira colheita e subsequentemente como as demais (Mattos, S. H. et al., 2006).
As colheitas devem ser feitas entra 15 e 17 horas para obtenção de maiores rendimentos em óleo essencial e de seus constituintes majoritários citral e limoneno (Mattos, S. H. et al., 2006).

PRAGAS E DOENÇAS
Alternaria e Cercospora (Corrêa Junior, C. et al., 2006).