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É manjericão? Ou é alfavaca? Ou é basilicão? Ou é alfavacão?...

Busco na memória quando comecei a gostar e usar o manjericão na cozinha. Não tem muito tempo. Foi com a Cau, minha esposa, que percebi o quanto é saboroso e principalmente cheiroso. Dá um toque especial a alguns pratos e não pode faltar em outros, como em uma salada de polvo.
Como profissional da área de ciências agrárias, sempre vi a associação da palavra “manjericão” ao nome científico “Ocimum basilicum”. Acontece que a planta que sempre conheci com este nome popular tem as folhas pequenas e quando fiz minha pós-graduação em Plantas Medicinais descobri que o Ocimum basilicum é o manjericão de folha larga. O manjericão de folhas miúdas tem o nome científico Ocimum minimum. Vejo que algumas pessoas fazem a mesma associação e na feira livre que freqüento não é raro ver pessoas perguntando ao feirante “o que é isso, moço?”. Em certa ocasião ficamos a conversar se uma não era alfavaca ou alfavacão e a outra manjericão. Por fim a conclusão foi que “manjericão era a planta da folha miúda, como sempre foi e não se fala mais nisso” afirmou uma senhora.
Como já postado anteriormente neste blog em “Melissa???”, quando tratamos as plantas pelos nomes populares podem ocorrer confusões. Pois a depender da cidade, da região e do país que ela se encontra seu nome popular pode variar muito. Por isso, o correto é tratá-las pelo nome científico (Ler postagem de 2009: Revisão Bibliográfica, subtítulo 2.3 – Identificação).
Desta forma, não é incorreto chamarmos o Ocimum basilicum ou o Ocimum minimum de manjericão.
Temos ainda o Ocimum basilicum var. purpureum, o Ocimum gratissimum e mais algumas dezenas. Já vi em alguns sites fotos do O. gratissimum e do O. minimum associado ao nome Ocimum basilicum.
Se você é uma destas pessoas que sempre utilizou, na cozinha, o manjericão de folhas miúdas (O. minimum) recomendo experimentar o manjericão de folhas largas (O. basilicum).


Ocimum Basilicum




Ocimum basilicum var. purpureum


Ocimum minimum

Ocimum basilicum L. (Alfavaca, manjericão)

2.4.10 - Ocimum basilicum L. (Alfavaca, manjericão)

2.4.10.1 - DESCRIÇÃO
Planta herbácea, anual, mas em ambiente propício pode se tornar perene. Ramificada, ereta, muito aromática e perfumada, de 0,3 m a 1,0 m de altura.
Folhas simples, pecioladas, membranáceas, opostas e ovais; margens onduladas e nervuras salientes, de 4-7 cm de comprimento. Na face inferior das folhas existem minúsculas covas, onde se formam gotículas de essências. Possui haste reta com muitas folhas carnosas, sem pêlos e de cor verde-brilhante.
Flores hermafroditas, numerosas e sésseis, estão aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas ou racimos curtos, apresentando diversas cores de acordo com a variedade: brancas, branco-amareladas, róceas, avermelhadas, purpúreas e lilases.
Frutos do tipo aquênio que resulta em sementes oblongas, preto-azuladas e pequenas.
(Lorenzi, H. et al., 2002; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Hertwig, I.F.V., 1986; Mattos, S. H. et al., 2006; Guia Rural, 1990).

* Ver fotos no anexo.

2.4.10.2 - USOS
Utilizar a planta fresca de preferência, pois há perda de seus princípios ativos ao secar e ferver (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Selecções do reader’s digest, 1983).

a) Problemas digestivos em geral (estomacal, hepático, vesícula biliar e gases intestinais).
Infusão: preparado adicionando-se água fervente em uma xícara (chá) contendo uma colher (sobremesa) de folhas e inflorescências picadas, ministrando-se uma xícara (chá) do coado antes das principais refeições (Lorenzi, H. et al., 2002).

b) Problemas das vias respiratórias (tosses noturnas, gripes, resfriados e bronquites).
O mesmo chá, citado acima, adoçado com uma colher (sobremesa) de mel (Lorenzi, H. et al., 2002).



c) Problemas da boca e garganta (dor de garganta e aftas).
Bochechos e gargarejos com o seu chá em decocção, preparado fervendo-se meio litro de água com 50 gramas de folhas secas ou 100 gramas de folhas frescas (Lorenzi, H. et al., 2002; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).
Prepara-se chá por infusão, utilizando-se 2 colheres de sopa de folhas e/ou sumidades floridas picadas para 1L de água fervente. Posologia: 3 xícaras do chá morno por dia (Unilavras, 2008).

d) Insônia.
Uma colher de chá de folha em 1/4 de litro de água fervente. Faça um infuso por 5 minutos. Coa e beba à noite antes de deitar (Ache tudo e região, 2008).
e) Dor no mamilo de lactantes.
Infuso de duas xícaras de água fervente com duas colheres de sopa de folha por 10 minutos. Coe e aplique compressas (Ache tudo e região, 2008; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).

2.4.10.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO
Contra indicado para mulheres grávidas (Ache tudo e região, 2008).
Não é recomendado o seu uso para gestantes nos 3 primeiros meses da gravidez (Lorenzi, H. et al., 2002; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).
Em altas doses pode agir como supressor do sistema nervoso central, causando estado de sonolência e inconsciência (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).
O suco da folha pode ser ligeiramente narcótico em altas doses, alguns de seus compostos como safrol pode causar câncer. A essência pode produzir irritação na mucosa (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
2.4.10.4 - CULTIVO
Originário do norte da África e da Índia e é subespontâneo em todo o Brasil (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Mattos, S. H. et al., 2006). Planta de clima mais quente, mas também mais úmido (Jardins e Plantas, ----?).
Cultivada em quase todo o Brasil em hortas domésticas e jardins para uso condimentar e medicinal (Lorenzi, H. et al., 2002; Guia Rural, 1990; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

PROPAGAÇÃO
Propagação por semeadura ou estaquia de galhos (ramos). (Lorenzi, H. et al., 2002; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Ache tudo e região, 2008; Hertwig, I.F.V., 1986; Afitema, 2007; Guia Rural, 1990; Corrêa Junior, C. et al., 2006; Mattos, S. H. et al., 2006). Funciona bem a auto-semeadura em locais que não são muito frios (Ache tudo e região, 2008).

PLANTIO
Planta-se o ano todo, de preferência na primavera (Afitema, 2007; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Guia Rural, 1990). Trate-o como uma espécie anual e coloque-o no peitoril de uma janela de face norte. Pode atingir 60 cm (Seddon, G.,1980).

CLIMA
Aprecia o clima subtropical, tropical e temperado, mas prefere clima subtropical e temperado quente úmido (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Blanco, M. C. S. G., 2007; Jardineiro.Net, 2008; Hertwig, I.F.V., 1986).
Deve-se cultivá-lo sob sol pleno (Jardineiro.Net, 2008). Gosta de sol, mas sem exagero para não enfraquecer o aroma. O vento também tem de ser controlado. Assim, o ideal seria uma área ligeiramente sombreada e protegida (Guia Rural, 1990).
Não tolera temperaturas frias e muito menos, geadas (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Hertwig, I.F.V., 1986). Quanto mais baixa a temperatura durante o ciclo da planta, menor é o seu porte (Hertwig, I.F.V., 1986).
Gosta de terrenos ensolarados e bem drenados, bem irrigados quando seco (Ache tudo e região, 2008; Afitema, 2007). Regue com freqüência a base da planta, sem formar lama (Guia Rural, 1990).

SOLO
Prefere solo fértil, permeável e rico em matéria orgânica (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Hertwig, I.F.V., 1986; Ache tudo e região, 2008; Mattos, S. H. et al., 2006) Não gosta de solos encharcados (Guia Rural, 1990; Afitema, 2007; Jardineiro.Net, 2008).
Regar com muita freqüência, pois esta planta é muito exigente em umidade embora exija solo permeável com drenagem rápida. Só prospera quando suas raízes dispõem de umidade suficiente. A necessidade de umidade no solo para esta cultura é óbvia: as folhas são muito suculentas, cheias de líquidos, e as perdas por transpiração devem ser repostas prontamente; por outro lado as novas folhas e as que aumentam de tamanho vão sempre exigindo quantidades crescentes de água. Não se deve molhar as folhas por ocasião das regas para evitar riscos de contaminações (Hertwig, I.F.V., 1986).

COLHEITA
A colheita começa quando a planta atinge 20 cm de altura, e prossegue na medida do seu consumo. As folhas frescas possuem um aroma forte; que pode ser acentuado com cortes periódicos nas flores do arbusto (Guia Rural, 1990). Colhem-se as folhas de ramos terminais no início da floração. Podem secá-las em local arejado e à sombra ou usá-las ainda verdes (Afitema, 2007). A colheita inicia-se quatro meses após o plantio (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).
Se o objetivo forem as folhas, deve-se evitar o aparecimento de flores as quais retiram parte das substâncias aromáticas das folhas em prejuízo da qualidade destas últimas. Neste caso é aconselhável cortar fora a extremidade superior do ramo ou caule central onde começaram a se desenvolver as futuras flores, e cortar as pontas que já apresentem flores. Como resultado do corte da extremidade dos ramos centrais, será percebido o desenvolvimento de novos ramos laterais os quais aumentam o volume da touceira. Com este procedimento, consegue-se dilatar o período de colheita de ramos só com folhas e sem flores, para uns dois meses. Caso contrário este período seria de apenas uns dez dias ou pouco mais. A supressão das flores evita o envelhecimento precoce das plantas. A fecundação e a frutificação subseqüente, ocasionam mais uma queda do teor de essência em toda a planta. Uma boa cultura proporciona a colheita de um quilo a um quilo e meio de ramos e folhas frescas por touceira (Hertwig, I.F.V., 1986).
Se a cultura estiver localizada numa latitude e altitude com inverno isento de frios fortes, pode-se efetuar uma poda completa das plantas após a colheita, no fim de outono, e em muitos casos a planta voltará a brotar, crescer e se desenvolver na primavera seguinte. Mas o corte deverá ser feito a uns 10 ou mais cm acima da superfície do solo, pois se for muito rente ao solo as plantas poderão morrer ou produzir muito pouco na segunda colheita bem como no ano seguinte. Se não rebrotarem é necessário replantio (Hertwig, I.F.V., 1986).
Para se obter máximos rendimentos em óleo essencial e do seu constituinte majoritário, deve-se colher entre 8 e 10 horas.
Não suporta muitas colheitas subseqüentes, exigindo o replantio (Jardineiro.Net, 2008).
PRAGAS E DOENÇAS
O Ocimum basilicum cultivado em regiões de clima excessivamente úmido, ou por ocasião de períodos chuvosos ou de chuvisco, pode estar sujeito especialmente à Botrytis cinerea e ao ataque de fungos do solo (Phytium, Fusarium, Sclerotinia etc.) (Hertwig, I.F.V., 1986; Corrêa Junior, C. et al., 2006).
A Botrytis cinerea é um mofo que pode ocasionar danos severos, pois provoca a podridão de ramos, folhas e flores, isto é, ataca a parte aérea das plantas (Hertwig, I.F.V., 1986).
Atacado também por pragas como coleópteros e pulgões (Corrêa Junior, C. et al., 2006).