Lippia alba (Mill)N. E. Brown (Erva-cidreira-brasileira).

2.4.5 - Lippia alba (Mill)N. E. Brown (Erva-cidreira-brasileira).

2.4.5.1 - DESCRIÇÃO
Subarbusto bianual, muito ramificado dicotomicamente, alcançando até 1,5 m de altura, raramente 2 m.
Folhas oblongo-agudas, opostas; abertas, de bordos serreados, de 3-6 cm de comprimento. Cor verde claro a escuro. Possui cheiro forte aromático, semelhante ao da erva-cidreira (Melissa officinalis).
Caule herbáceo de cor castanho claro. Seus ramos são finos, esbranquiçados, arqueados, longos e quebradiços.
Flores róseo-violáceas, azul-arroxeadas, “brancas”, reunidas em inflorescências axilares capituliformes de eixo curto e tamanho variável. Inflorescências compostas por um disco central de flores ainda não desenvolvidas rodeado por apenas três a cinco flores liguladas. Reunidas em umbelas.
Frutos drupáceos, globosos, de cor róseo-arroxeada.
Sementes são pouco visíveis por causa de seu diminuto tamanho.
Raízes fasciculadas, devido ao seu tipo comum de multiplicação assexuada.
(Lorenzi, H. et al., 2002; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Mattos, S. H. et al., 2006).
* Ver fotos no anexo.

2.4.5.2 - USOS
a) Ação calmante e espasmolítica suave. Alívio de pequenas crises de cólicas uterinas e intestinais, bem como no tratamento do nervosismo e estados de intranqüilidade (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000). Estomáquicos e carminativo (Lorenzi, H. et al., 2002).
Infusão: Uma colher (sopa) de folhas frescas para cada ½ litro de água. Tomar 4 a 6 xícaras de chá ao dia. (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

b) Dor de barriga e digestão.
Infusão: Usar 10 folhas (4g) numa xícara de água e tomar quando necessário. Para digestão, tomar após as refeições (Programa Municipal Fitoviva, 2008).

c) Bronquites, resfriados e infecções respiratórias.
Tintura: 100g de folhas para meio litro de álcool diluído (3 partes de álcool e 2 partes de água). Tomar uma colher de chá 3 vezes ao dia (Programa Municipal Fitoviva, 2008).

2.4.5.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO
Toxicologia: popularmente não se recomenda o uso por hipotensos (pressão baixa). (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008; Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).


2.4.5.4 - CULTIVO
Originária da América do Sul, especialmente Brasil, onde é nativa de quase todo o território (Mattos, S. H. et al., 2006). É encontrada como planta espontânea em terrenos abandonados e também cultivada em hortas domiciliares (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).

PROPAGAÇÃO
Facilmente cultivável por estaquia e devem-se utilizar estacas lenhosas com três gemas. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Herbário, 2008; Corrêa Junior, C. et al., 2006; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Mattos, S. H. et al., 2006).

PLANTIO
Primavera (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). O plantio pode ser feito diretamente no local definitivo ou através de mudas enraizadas com 30 dias de idade (Mattos, S. H. et al., 2006).

CLIMA
Subtropical e temperado. Não tolera excesso de calor ou frio. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).

SOLO
Gosta de solo rico em matéria orgânica, com boa drenagem (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). Vegeta em solos arenosos (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).
Em solos férteis ou de mediana fertilidade, não necessita de adubações complementares, já em solos pobres, deve-se utilizar esterco bovino curtido como adubo na quantidade de 2 Kg/m2 (Mattos, S. H. et al., 2006).
COLHEITA
Cinco meses após o plantio (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).Colhe-se os ramos floridos, 10-20 cm acima do solo. São feitas duas colheitas por ano (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Segundo Mattos, S. H. (et al., 2006) a primeira e segunda colheita devem ser realizadas com o arranquio apenas das folhas, puxando-as no sentido de baixo para cima dos seus ramos, respectivamente, aos quatro e seis meses de idade. Na terceira colheita, quando as plantas estão com oito meses, faz-se o corte dos ramos a uma altura de 30 cm do solo. A quarta colheita deve ser após quatro meses da terceira, com a mesma metodologia feita na primeira colheita e subsequentemente como as demais (Mattos, S. H. et al., 2006).
As colheitas devem ser feitas entra 15 e 17 horas para obtenção de maiores rendimentos em óleo essencial e de seus constituintes majoritários citral e limoneno (Mattos, S. H. et al., 2006).

PRAGAS E DOENÇAS
Alternaria e Cercospora (Corrêa Junior, C. et al., 2006).

Cymbopogon citratus (DC) Stapf. (Capim-santo).

2.4.4 - Cymbopogon citratus (DC) Stapf. (Capim-santo).

2.4.4.1 - DESCRIÇÃO
Erva anual, bianual ou perene, quase acaule.
Folhas são eretas ou curvas invaginantes, longas, estreitas e aromáticas. Medem aproximadamente 1 m de comprimento por 1,5 cm de largura, apresentando bainha de cor roxa na base e branco esverdeado na parte interna. Forma touceiras compactas e robustas de até 2,0 m de altura, com rizoma semi-subterrâneo, curto e horizontal com raízes fortes e finas. Colmos simples ou ramificados.
Suas flores são hermafroditas, sendo raras e estéreis nas condições brasileiras (clima tropical).
Frutos são do tipo aquênio.

Obs.: Suas folhas longas e estreitas quando machucadas soltam um forte cheiro que lembra o limão, daí o porquê de ser também conhecida como Capim-limão.

*Uma planta semelhante e muitas vezes confundida com o Capim-santo (Cymbopogon citratus Stapf.) é a Citronela (Cymbopogon winterianus; Cymbopogon nardus). Ambas as plantas pertencem ao mesmo Gênero (Cymbopogon) e embora a aparência seja realmente muito próxima, dá para diferenciá-las pelo aroma: o Capim-santo apresenta um cheiro mais suave, que lembra o limão; enquanto o aroma da citronela é bem intenso, lembrando o eucalipto e por isso mesmo o cheiro de sauna.
(Matos, F.J.A., 1994; Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Jardim de Flores, 2008; Mattos, S. H. et al., 2006).

** Ver fotos no anexo.
2.4.4.2 – USOS

a) Insônia, nervosismo, ansiedade, alívio de pequenas crises de cólicas uterinas e intestinais (gases intestinais), digestivo estomacal.
Infusão (chá): recém preparado com cinco a seis gramas das folhas, de preferência frescas ou, então, com um a três gramas das folhas secas, em uma xícara de água fervente. O chá deve ser do tipo abafado (Matos, F.J.A.; Lorenzi, H.; Pereira Pinto, J.E.B.; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
Refresco: Outra preparação de sabor muito agradável e que tem os mesmos efeitos do chá, é o refresco recentemente preparado com 40 folhas cortadas em pequenos pedaços e trituradas em liquidificador juntamente com o suco de quatro ou seis limões em um litro de água; esta mistura deve ser coada em peneira fina, adoçar a gosto e posto para gelar (Matos, F.J.A.; Lorenzi, H.; Pereira Pinto, J.E.B.; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
Ambas as preparações, chá e refresco, podem ser bebidos à vontade, pois são completamente desprovidos de qualquer ação tóxica, mesmo quando tomado muitas vezes no mesmo dia. É recomendado, no entanto de duas a três xícaras por dia (Matos, F.J.A.; Lorenzi, H.; Pereira Pinto, J.E.B.; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
Recomenda-se, porém cuidado para evitar a presença de microfragmentos da folha no chá, os quais poderiam causar pequenas lesões nas mucosas que revestem o aparelho digestivo, da boca aos intestinos. Deve-se coar o chá antes de beber (Matos, F.J.A.; Lorenzi, H.; Pereira Pinto, J.E.B.; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).



b) Limpeza dos dentes e gengivas.
Coloque uma colher de sobremesa de rizoma fatiado em uma xícara de água em fervura. Desligue o fogo, coe e deixe esfriar e faça bochechos, de duas a três vezes ao dia (Pereira Pinto, J.E.B.).
Não é necessário ferver muito, as folhas e rizomas, nem deixar em água quente por muito tempo (Pereira Pinto, J.E.B.).

c) Estimulante lácteo.
A utilização durante a gestação e lactação é recomendada (Pereira Pinto, J.E.B.).
*Em doses elevadas pode ser abortivo (Almassy, A.J.; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

d) Baixar febre.
Infusão (chá): Uma xícara de chá de água e uma xícara de chá de folha ou rizoma fresco, ou metade se forem secos. Coe e tome quente (Ache tudo e região, 2008).

e) Reumatismo e dores musculares.
Esmague em um pilão um pouco de rizoma com uma colher (sopa) de óleo de côco. Coe e empregue em massagens, nos locais doloridos (Ache tudo e região,2008).
f) Repelente de insetos.
Colocar as folhas em um saco de pano e guardar junto das roupas como aromatizante e para repelir os insetos. (Pereira Pinto, J.E.B.)


2.4.4.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO
Pode ser bebido à vontade, pois é completamente desprovido de toxidez, mesmo quando tomado muitas vezes ao dia. (Matos, F.J.A.; Lorenzi, H.; Pereira Pinto).
Em doses elevadas pode ser abortivo. (Almassy, A.J.; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Programa Municipal Fitoviva, 2008).
As doses recomendadas dos infusos não são tóxicas (via oral).
Contra indicado para hipotensão (pressão baixa). (Programa Municipal Fitoviva, 2008).

2.4.4.4 – CULTIVO
Originária da Índia e cultivada nos países tropicais (Mattos, S. H. et al., 2006). Adapta-se a todo Brasil, sendo encontrado em hortas domiciliares em todos os estados. É extremamente rústico, adaptando-se a variadas condições de clima e solo. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Afitema, 2007; O Jardim da Dama do Lago, 2008).
Pode ser plantada em vasos, em canteiros adubados ou como bordadura de áreas maiores. É indispensável no jardim de ervas, seja pelo seu aroma ou pelas utilizações medicinais (O Jardim da Dama do Lago, 2008).

PROPAGAÇÃO
Por divisão de touceiras (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008 Corrêa Junior, C. et al., 2006).
As mudas são retiradas de uma moita já desenvolvida e de aspecto saudável. Veja pela base da planta os talos mais fáceis de arrancar, trazendo junto um pedaço de sua raiz (Guia Rural, 1990). Os filhos (talos) são retirados por grupo de 3, uma vez ao ano, e replantados para formação do novo plantio, ou seja, faz-se as mudas desmembrando pedaços da touceira mãe, plantando em lugar bem ensolarado (Ache tudo e região, 2008; Matos, F.J.A., 1994; Mattos, S. H. et al., 2006). Ao retirar as mudas, deve-se encurtar as folhas (30 cm)e aparar as raízes, não deixando que sequem, mantendo-as umedecidas ou imersas em água. (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Guia Rural, 1990).
O plantio deve acontecer o mais breve possível. As mudas resistem por um dia, se conservadas em local fresco e sombreadas (Guia Rural, 1990). Selecionam-se as melhores mudas, que podem ser plantadas diretamente no solo, enterrando-se o terço basal dos perfilhos, ou podem ser acomodadas à mesma profundidade em que estavam na moita (Guia Rural, 1990; Mattos, S. H. et al., 2006).

PLANTIO
O ano todo, uma vez que em cultivo em residências perde-se a dependência da chuva para a irrigação da planta (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Afitema, 2007). Realizar o plantio, ou no início da manhã ou no final da tarde, evitando desta forma os horários de temperaturas mais elevadas (Guia Rural, 1990).

CLIMA
Tropical e subtropical (Blanco, M. C. S. G., 2007). Prefere climas quentes e úmidos, com chuvas bem distribuídas e temperatura média elevada (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000). Deve ser cultivado sob sol direto (Ache tudo e região, 2008; O Jardim da Dama do Lago, 2008).
Não tolera excesso de umidade. Não deixar a terra secar em profundidade, abaixo de 2 a 3 dedos (Ache tudo e região, 2008; O Jardim da Dama do Lago, 2008).
Ressente-se dos ventos frios e das geadas no inverno que queimam as folhas, embora não cheguem a matar as plantas (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008). Em relação às geadas, quando o cultivo for feito em recipientes, o recomendado é levar os mesmos para locais protegidos como varandas ou sob árvores (O Jardim da Dama do Lago, 2008).
É extremamente rústico, adaptando-se a variadas condições de clima (O Jardim da Dama do Lago, 2008).

SOLO
Pode ser cultivado em qualquer tipo de solo desde que bem drenado (não sujeito ao encharcamento) e fértil (Blanco, M. C. S. G., 2007; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000). Umidade em excesso bem como os solos demasiadamente secos são impróprios a esta cultura. É planta esgotante do solo, exigente em matéria orgânica e nutrientes (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
A adubação de plantio deve ser de 6 Kg/m2 de esterco bovino curtido e repetida a cada 60 dias (Mattos, S. H. et al., 2006).
É extremamente rústico, adaptando-se a variadas condições de solo (O Jardim da Dama do Lago, 2008).

COLHEITA
Colhe-se as folhas o ano todo, sendo que se inicia a partir de seis meses após plantio e as demais a cada quatro meses para obtenção por colheita de maior rendimento de matéria seca As plantas devem ser cortadas a altura de 15 cm d solo. O horário de corte das plantas, entre 9 e 11 horas proporciona maior rendimento de óleo essencial, além de citral e mirceno, seus constituintes majoritários (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Afitema, 2007; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Mattos, S. H. et al., 2006).
Faz-se de duas a três colheitas por ano (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Corrêa Junior, C. et al., 2006). No entanto, no caso de plantio para uso doméstico, o recomendado é colher de acordo com a necessidade. A planta resiste a cortes totais realizados rente ao solo, pois rebrota em seguida. As primeiras horas do dia são as melhores para os cortes (Guia Rural, 1990).

PRAGAS E DOENÇAS
Em condições de solo inadequado e/ou excesso de irrigações, combinadas com forte calor, poderá ocorrer o aparecimento de fungos de ferrugem das folhas. Um arestamento na ponta das folhas pode ocorrer se a planta estiver sujeita a ventos frios. Poderá, ocasionalmente, ocorrer o aparecimento de lagartas, pulgões ou cochonilhas (cochonilha de raiz) na base das folhas ou nos rizomas (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Guia Rural, 1990; Corrêa Junior, C. et al., 2006).

OUTRAS INFORMAÇÕES
Muitas vezes é necessário o replantio, pois várias mudas não vingam no plantio. Realiza-se o arranque do mato e regas, na ausência de chuvas (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Guia Rural, 1990). Na primavera é feita uma adubação complementar (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
O seu crescimento é bastante rápido, o que pode requerer um desbaste periódico. As plantas devem ser cortadas a 10 cm acima do solo para que rebrotem sem prejudicar os rizomas (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
Utilizar sempre luvas ao trabalhar, pois as bordas das folhas cortam a pele (O Jardim da Dama do Lago, 2008).
Renovar a cultura a cada 3-5 anos (Corrêa Junior, C. et al., 2006; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

Baccharis trimera (Less.) DC. (Carqueja).

2.4.3 - Baccharis trimera (Less.) DC. (Carqueja).

2.4.3.1 - DESCRIÇÃO
Arbusto perene de pequeno porte, ereto, muito ramificado na base, medindo de 20 a 80 cm de altura.
Folhas dispostas ao longo dos caules e ramos como expansão alada. Bastante reduzidas e ovais.
Caule lenhoso, alado em sua extensão, com alas seccionadas alternadamente, levemente nervadas.
Inflorescências em capítulo, dispostas ao longo dos ramos de cor esbranquiçadas.
Fruto tipo aquênio, linear, glabro.
(Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000).

* Ver fotos no anexo.

2.4.3.2 - USOS
a) Afecções estomacais, intestinais e hepáticas.
Infusão: preparado adicionando-se água fervente a uma xícara (chá) contendo uma colher (sopa) de suas hastes e folhas picadas, na dose de uma xícara (chá) 3 vezes ao dia, 30 minutos antes das refeições (Lorenzi, H. et al., 2002).

b) Digestivo.
Vinho medicinal: macerar uma colher das de sopa de hastes em meio copo de aguardente por 5 dias. Misturar o macerado filtrado a uma garrafa de vinho branco. Tomar um cálice antes das refeições (Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000; Wikipedia, 2008).

c) Uso externo.
Infusão forte: 60 g em 1 litro de água. Aplicar diretamente em locais afetados. Banhos parciais ou completos, ou compressas localizadas (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Wikipedia, 2008).

2.4.3.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO
Toxicidade: Não há referência na literatura consultada (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).
Contra-indicações/cuidados: gestantes e lactantes. Doses excessivas podem abaixar a pressão (Wikipedia, 2008).

2.4.3.4 – CULTIVO
Originária da América do Sul, ocorre espontaneamente em quase todo o território nacional. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000).
Em estado silvestre, cresce em abundância em grande parte do território nacional, nas pastagens, terrenos baldios, margens de rios e beira de estradas. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Guia Rural, 1990; Jardineiro.Net, 2008).
Na natureza essa planta vive em locais muito secos e compactados (Jardins e Plantas, ----?).
É uma planta ideal para canteiros de jardins, pois cresce formando tufos espessos (Wikipedia, 2008). A carqueja é muito rústica e de fácil cultivo, além de interessante no paisagismo pelo seu aspecto diferente. Pode ser plantada em vasos e jardineiras, assim como em canteiros adubados, onde forma pequenas moitas arredondadas e compactas. (Jardineiro.Net, 2008).

PROPAGAÇÃO
A propagação da carqueja se dá por sementes, por estaquia ou, por divisão de touceira (mudas retiradas da planta adulta) (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000; Afitema, 2007; Jardineiro.Net, 2008; Jardins e Plantas, ----?; Corrêa Junior, C. et al., 2006; Oliveira, E. J. et al., 1999).
A reprodução por sementes pode não dar os resultados esperados, em razão da demora que a planta terá para atingir o ponto de colheita. (Oliveira, E. J. et al., 1999). O melhor é plantá-la através de mudas retiradas de uma carqueja adulta (Guia Rural, 1990).

PLANTIO
Nos meses mais quentes do ano (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005; Guia Rural, 1990).

CLIMA
Tropical (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). Tem distribuição predominantemente extra tropical, sendo uma planta de lugares abertos ou de campo, muito abundante nas regiões montanhosas, onde o clima é ameno e em zonas áridas. (Afitema, 2007; Oliveira, E. J. et al., 1999).
O local para o plantio deve ser exposto ao sol, principalmente pela manhã (Oliveira, E. J. et al., 1999). Deve ser cultivada a pleno sol, não sendo exigente em irrigação, porém deve ser regada a intervalos periódicos. (Afitema, 2007; Jardineiro.Net, 2008).
Por ser um planta rústica, de maneira geral não é exigente em condições especiais de clima (Guia Rural, 1990).

SOLO
Ocorre em uma grande variedade de solos (Pereira Pinto, J.E.B. et al., 2000). O solo preferencialmente deve ser leve e fértil para que as raízes tenham facilidade de penetrar e desenvolver (Jardineiro.Net, 2008; Oliveira, E. J. et al., 1999).
Aceita solos pobres e ácidos e por isso infesta campos nativos, contudo aprecia solos férteis e úmidos, nos quais se desenvolve de forma mais exuberante (Jardins e Plantas, ----?).
Segundo Afitema (2007) a carqueja prefere solos secos e arejados.
Responde a pequenas quantidades de matéria orgânica (Afitema, 2007). É recomendado manter um bom teor de umidade do solo, mas não encharcado (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005).
Por ser um planta rústica, de maneira geral não é exigente em condições especiais de solo (Guia Rural, 1990).

COLHEITA
Quatro meses após o plantio, quando apresentarem as flores. (Almassy Júnior, A.A. et al., 2005). Segundo Guia Rural (1990) a colheita começa quando atinge 30 cm de altura.
Deve-se salientar que a colheita das plantas em determinado ponto tem o intuito de obter o máximo teor de princípio ativo. Na carqueja, o período ideal é na floração. O maior problema da época de colheita na época inadequada é a redução do valor terapêutico e/ou predominância de princípios tóxicos (Oliveira, E. J. et al., 1999; Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Existem alguns aspectos práticos que deveremos levar em consideração. Na carqueja, deve-se cortar totalmente sua parte herbácea, respeitando dois nós acima da superfície do solo. (Oliveira, E. J. et al., 1999; Corrêa Junior, C. et al., 2006). Esse procedimento favorecerá posteriormente a rebrota das plantas (Oliveira, E. J. et al., 1999). Segundo Almassy Júnior, A.A. (et al., 2005) o corte deve ser a 20-25 cm do solo.
Colhem-se as folhas quando novas tendo o cuidado de eliminar bolores que costumam desenvolver-se nelas (Afitema, 2007).
Faz-se de duas a três colheitas por ano (Oliveira, E. J. et al., 1999; Corrêa Junior, C. et al., 2006).

PRAGAS E DOENÇAS
A carqueja normalmente apresenta alta resistência ao ataque de doenças e pragas. Algumas pragas, que podem vir a aparecer, são ácaros, besouros, cochonilhas, formigas, lagartas, percevejos, pulgões, lesmas e nematóides. Podem ocorrer também doenças fúngicas, bacterianas e viróticas (Oliveira, E. J. et al., 1999; Corrêa Junior, C. et al., 2006).

OUTRAS INFORMAÇÕES
Deve ser renovada a cada 3-4 anos (Oliveira, E. J. et al., 1999; Corrêa Junior, C. et al., 2006).

Aloe vera (L.) Burm. f. (Babosa).

2.4.2 - Aloe vera (L.) Burm. f. (Babosa).

2.4.2.1 - DESCRIÇÃO
Planta perene, herbácea, estolonífera, suculenta, de até 1 m de altura.
Folhas carnosas, simples, alternas, sésseis, grossas, longas, lanceoladas, acuminadas e suculentas, quase triangulares, bordos com fortes dentes espinhosos, dispostas em rosetas em caule muito curto e rico em suco mucilaginoso translúcido no centro e amarelado próximo à epiderme. Quando cortadas, deixam escoar um suco viscoso, amarelado e muito amargo. Esta espécie tem as folhas verde-escuras e sem manchas em ambas as faces. O comprimento, a largura e o número de folhas, bem com de perfilhos, aumenta de forma linear ao longo do seu ciclo vital.
Caule tenro, ereto ou levemente decumbentes.
Flores vermelhas ou amarelo-esverdeada, actinomorfas, hermafroditas com o perigônio tubuloso formado por seis tépalas. Estames em número de seis, mais longos que as tépalas, com filetes subulados e anteras oblongas. Ovário triocular e trígono, com os lóculos pluriovulados e o estilete filiforme. Inflorescência em racemos.
No Ceará, a fase reprodutiva tem início quando a planta tem 18 meses de idade. A antese, ou seja, o desabrochar da flor, que dá saída ao pólen, ocorre 11 dias após o surgimento do botão floral com senescência depois de três dias.
Frutos na forma de cápsulas trígonas e deiscentes, com três lóculos.
Sementes pequenas, aladas, numerosas e escuras.
Raízes longas e de um amarelo intenso internamente.
*A espécies A. arborescens Mill. é muito semelhante a A. vera.
(Matos, F.J.A., 1994; Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000; Hostdime, 2008; Mattos, S. H. et al., 2006).
** Ver fotos no anexo.
2.4.2.2 - USOS
a) Cicatrizante nos casos de queimaduras e ferimentos superficiais da pele.
Aplicação local do sumo fresco, diretamente ou cortando-se uma folha, depois de bem limpa, de modo a deixar o gel exposto para servir como delicado pincel (Lorenzi, H. et al., 2002).

b) Laxante.
Resina: é a mucilagem após a secagem. Prepara-se deixando as folhas, cortadas e escoando, penduradas com a base para baixo por 1 ou 2 dias, esse sumo é seco ao fogo ou ao sol, quando bem seco, pode ser transformado em pó. Tomar 0,1 a 0,2 g. O pó é dissolvido em água com açúcar (Lorenzi, H. et al., 2002; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

c) Contusões; entorses e dores reumáticas.
Tintura: usam-se 50 g de folhas descascadas, trituradas com 250 ml de álcool e 250 ml de água. Em seguida a tintura é coada, através de um pano. Deve ser utilizada sob a forma de compressas e massagens nas partes doloridas. (Lorenzi, H. et al., 2002; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).

d) Queda de cabelo, caspa, brilho no cabelo, combate a piolhos e lêndeas. Lave as folhas frescas, tire a casca, ficando somente com a polpa gosmenta e amarelada. Coloque uma porção de polpa amarelada em um copo de água fervente, abafe por 15 minutos e coe com uma peneira. Lave a cabeça e, em seguida, aplique a gosma no couro cabeludo, massageando ligeiramente. Deixe agir por uma hora. Enxágüe a cabeça com água quente ou morna. No caso de piolhos ou lêndeas, passar o pente fino em seguida (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

2.4.2.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO.
Os compostos antraquinônicos são tóxicos quando ingeridos em dose alta. Assim, lambedores, xaropes e outros remédios preparados com esta planta, podem causar grave crise de nefrite aguda quando tomados em doses mais altas que as recomendadas, provocando, especialmente em crianças, intensa retenção de água no corpo que pode ser fatal. Não usar internamente em crianças. (Lorenzi, H. et al., 2002; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000; Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
Deve ser evitado o seu uso interno nos estados hemorroidários, em mulheres durante a menstruação ou gravidez e por aquelas que sofrem de inflamações uterinas ou ovarianas. Pode provocar a menstruação em doses elevadas. (Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Ache tudo e região, 2008). Não deve ser ingerida por mulheres grávidas, em período de amamentação ou em período menstrual, pois aumenta o fluxo de sangue (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Em altas doses, um grama por dia pode produzir diarréia. (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Também aqueles com varizes, disenterias, hemorróidas, afecções renais, apendicite, cistite, enterocolita e prostatites não podem usá-la internamente. (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Contra indicada também por quem sofre de cálculos da bexiga (Ache tudo e região, 2008).


2.4.2.3 – CULTIVO
Encontrada originalmente nas partes secas da África (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008). Cresce de forma subespontânea em toda a região Nordeste (Lorenzi, H. et al., 2002).
Desenvolve-se muito bem diante de uma janela ensolarada, na atmosfera seca da sala de estar (Seddon, G.,1980).

PROPAGAÇÃO
Multiplica-se bem por separação de brotos laterais, que devem ser enraizados. O transplantio ocorre quando as mudas apresentarem 30 dias de idade. (Matos, F.J.A., 1994; Lorenzi, H. et al., 2002; Mattos, S. H. et al., 2006).
Multiplica-se, também, através de rebentos. Rebentos muito pequenos dificilmente enraízam, não devendo ser arrancados enquanto as respectivas folhas não tomarem a característica forma de roseta. Até pegarem, os rebentos devem ser colocados em luz forte, mas sem exposição direta aos raios solares, e regados o indispensável para umedecer a mistura, permitindo que os dois terços superiores sequem antes de regar novamente. (Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Kindersley, D., 1984; Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Multiplica-se, segundo Afitema (2007), por sementes.

PLANTIO
Período seco (Almassy júnior, A.A. et al., 2005).

CLIMA
Clima semidesértico, quente e úmido. Aprecia luz forte, preferindo locais ensolarados. Não exige muita água, por isso a irrigação deve ser moderada. Durante o período de crescimento ativo regue abundantemente com a freqüência necessária para que a mistura se mantenha completamente úmida. Durante o período de repouso regue apenas o indispensável para impedir que a mistura seque. Evite que se deposite água nas rosetas compactas. Nunca ponha água na roseta. Toleram ar seco (Matos, F.J.A., 1994; Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Afitema, 2007; Kindersley, D., 1984; Seddon, G.,1980).

SOLO
Prefere solo arenoso ou arenoargilosos, arejado e locais rochosos e pedregosos. Exigente em solo fértil, com relativa matéria orgânica, para um bom rendimento. Responde bem a fósforo e potássio. (Matos, F.J.A., 1994; Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000; Afitema, 2007; Mattos, S. H. et al., 2006).
Não exige muita água, sendo prejudicial solos encharcados (Mattos, S. H. et al., 2006; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000).

COLHEITA
Colhe-se o ano todo. São colhidas as folhas bem desenvolvidas. Recomenda-se colher as folhas à noite. (Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Afitema, 2007).

PRAGAS E DOENÇAS
As cochonilhas e as cochonilhas das raízes podem criar problemas. As primeiras ocultam-se no ponto em que as folhas se inserem no caule e as últimas escondem-se nas raízes imediatamente abaixo da superfície da mistura. É atacada por podridão das folhas. (Kindersley, D., 1984; Corrêa Junior, C. et al., 2006).



OUTRAS INFORMAÇÕES
Mudar na Primavera para vasos do tamanho acima ou quando as plantas se encontrarem em vasos grandes é aconselhável proceder anualmente a substituição superficial do solo. Para evitar que apodreçam, certifique-se de que as plantas com folhas basais espessas não fiquem mais enterradas do que estavam anteriormente. Reenvase a cada dois anos. (Kindersley, D., 1984; Seddon, G.,1980).

Ageratum conyzoides L. (Mentrasto, Erva-de-São-João).

2.4.1 - Ageratum conyzoides L. (Mentrasto, Erva-de-São-João).
2.4.1.1 – DESCRIÇÃO.
Erva anual, herbácea, ereta, revestida de pelos alvos e aromática, com até 1 m de altura.
Folhas opostas, ovadas, membranáceas, pubescentes, de pecíolos longos crenadas, ásperas e de forma deltóide, de 3 a 9 cm de comprimento. Exalam um suave odor quando amassadas.
Inflorescências em capítulos terminais com cerca de 30-50 flores esbranquiçadas ou lilases.
Fruto do tipo aquênio, pequeníssimo e preto.
Raiz principal pivotante, com abundantes raízes secundárias distribuídas superficialmente no solo.
(Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000; Programa Municipal Fitoviva, 2008; Mattos, S. H. et al., 2006).

* Ver fotos no anexo.

2.4.1.2 – USOS.
a) Reumatismo, artrose e cólicas.
Tintura: uma xícara de cafezinho da planta fresca para 5 xícaras de álcool, tomar 10 gotas em água duas vezes ao dia (cólicas) ou aplicar em massagens locais (reumatismo/artrose). (Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
Pó: colocar uma colher (café) do pó em água ou suco de frutas para cada dose a ser tomada, tomar 3 a 4 vezes ao dia (artrose). (Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
Decocção (uso externo): cozinhar a planta inteira e despejar o chá morno numa vasilha, colocar os pés ou mãos dentro durante 20 minutos, duas vezes ao dia. Ou usá-lo sob a forma de compressas, duas vezes ao dia (reumatismo e artrose). (Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).

b) Cólicas menstruais.
Infusão: uma xícara de cafezinho da planta seca picada em meio litro de água, tomar uma xícara de chá de 4 em 4 horas. (Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008; Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).

* Os tratamentos longos devem ser interrompidos por uma semana a cada mês. (Matos, F.J.A., 1994).
** Eficiência terapêutica comprovada pelo Ministério da Saúde. (Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).
*** Pesquisas científicas já comprovaram as propriedades da planta. Conhecida também por mentrasto ou catinga-de-bode, atua como analgésica nos casos de reumatismo (Jardim de Flores, 2008).

2.4.1.3 – TOXICIDADE E CUIDADOS NO USO.
Ação hepatotóxica dos alcalóides encontrados nas flores (Almassy júnior, A.A. et al., 2005).
Toxicologia: sem efeitos tóxicos nos estudos realizados. (Ache tudo e região, 2008; Escola superior de agricultura “Luiz de Queiroz”, 2008).

2.4.1.4 - CULTIVO
Planta nativa na América Tropical e hoje amplamente dispersada por regiões tropicais e subtropicais do mundo. (Programa Municipal Fitoviva, 2008; Mattos, S. H. et al., 2006).
Vegeta espontaneamente em todo o território nacional. É muito freqüente nas áreas úmidas de todo o Nordeste, especialmente de serras, sendo considerada planta invasora de culturas e áreas não cultivadas (Programa Municipal Fitoviva, 2008; Mattos, S. H. et al., 2006; Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Matos, F.J.A., 1994; Cruz, G. L., 1965).
Pouco freqüente no extremo-sul (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Apresentam no Ceará dois tipos morfológicos distintos: um caracterizado pela abundância de ramos floríferos, a partir de duas semanas de crescimento, e outro produtor de abundante massa foliar, apresentando floração normal já no fim de seu ciclo vital (Mattos, S. H. et al., 2006).

PROPAGAÇÃO
Reproduz bem por estaquia e por sementes. (Matos, F.J.A., 1994; Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000).
As sementes levam 8 a 15 dias para germinar, respectivamente, nas formas florífera e vegetativa. O transplantio deve ser realizado com 30 dias após a semeadura para a forma florífera e 50 dias para a forma vegetativa (Mattos, S. H. et al., 2006).
Utilizam-se estacas apicais de 15 a 20 cm de comprimento para a propagação vegetativa (Mattos, S. H. et al., 2006).

PLANTIO
O ano todo, especialmente na primavera. (Almassy júnior, A.A. et al., 2005).

CLIMA
Tropical (Almassy júnior, A.A. et al., 2005). Gosta de locais semi-sombreados e úmidos. (1)

SOLO
Qualquer tipo de solo (Almassy júnior, A.A. et al., 2005; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000), mas se desenvolve melhor em solos férteis e bem adubados com matéria orgânica (Matos, F.J.A., 1994; Pereira pinto, J.E.B. et al., 2000).
Deve-se aplicar 6 Kg/m2 de esterco bovino bem curtido (Mattos, S. H. et al., 2006)

COLHEITA
Três meses após o plantio, antes da floração (Almassy júnior, A.A. et al., 2005). Segundo Mattos, S. H. et al., (2006) a melhor época de corte na forma florífera e forma vegetativa ocorre aos 80 e 135 dias após a semeadura, sendo que o corte das plantas deve ser realizado rente ao solo.

PRAGAS E DOENÇAS
Pode abrigar nematóides como dos gêneros Meloidogyne, Pratylenchus e Rotylenchulus. Pode ser infectada pelo vírus do enrugamento foliar do tabaco (Programa Municipal Fitoviva, 2008).

OUTRAS INFORMAÇÕES
Apresenta florescimento em torno de 65 dias da semeadura, sendo que, na estação seca, o ciclo total foi de 125 dias, enquanto na estação chuvosa ele se prolongou até 135 dias (Mattos, S. H. et al., 2006).

Introdução

2.1. CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS EM RECIPIENTES E JARDINS (PEQUENOS ESPAÇOS).
Existem poucos trabalhos na literatura em relação ao cultivo de plantas medicinais em recipientes e jardins.
Muito antes da era cristã, na região mediterrânea e no Extremo Oriente, cultivavam-se plantas em jardins em razão de sua beleza; os gregos e os romanos, no apogeu de sua civilização, cultivavam plantas em vasos nos pátios e nas casas. Mas é depois da descoberta da América que a “jardinagem em interiores” se inicia verdadeiramente, essencialmente com espécies do Oriente e das Américas (Seddon, G.,1980).
Pode-se cultivar a terra mesmo que não tenha um sítio. A sacada do apartamento, o parapeito da janela, o corredor da área de serviço, um pedacinho do jardim ou mesmo alguns vasos no canto da sala podem ser suficientes (Guia Rural, 1990). Qualquer recipiente resistente à umidade, como vasos de cerâmica, sacos plásticos, latas, tubos plásticos cortados etc., pode ser usado (Makishima, N., 1993).
Existem inúmeras pessoas que plantam para o seu uso próprio consumo (Encontro Estadual sobre Plantas Medicinais, 1996). Durante o ano todo, essas pessoas têm ervas frescas, de ótima qualidade, cuidadas por suas próprias mãos, praticamente de graça (Afitema, 2007).
Para produção em pequenas áreas, quando se deseja o uso caseiro, é possível produzir quase todas as plantas medicinais, pois as variações que ocorrerão no valor medicinal não trarão grandes prejuízos ao usuário. De qualquer maneira, para uso caseiro, deve escolher plantas que já ocorrem na sua região, pois estas, com certeza, já estão aclimatadas no seu local (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
As necessidades das plantas permanecem constantes mesmo quando seu ambiente muda radicalmente. Uma planta num vaso, cultivada em apartamento, encontra-se em condições absolutamente artificiais, e, por maiores que sejam suas qualidades de adaptação, elas têm limites. Dentro desses limites, o papel de quem as cultiva é substituir a natureza na satisfação de suas necessidades (Seddon, G.,1980).
Todas as plantas vivem e crescem basicamente do mesmo modo. As suas necessidades essenciais são ar, luz, água, sais minerais e uma gama de temperaturas adequadas. Requerem, além disso, um meio apropriado no qual possam desenvolver raízes (Kindersley, D., 1984).
O fato de determinada espécie exigir ar seco ou úmido, luz forte ou fraca, rega abundante ou escassa, temperatura elevada ou baixa, uma mistura de envasar ácida ou alcalina dependerá do habitat original dessa mesma espécie (Kindersley, D., 1984).
A luz corre sempre o risco de ser insuficiente num apartamento, o ar demasiado seco e, nos ambientes aquecidos, demasiado, quente. Sem contar que, com bastante freqüência, assim como acontece conosco, uma planta tem necessidade de repouso, e esse período de dormência deve ser respeitado. A lição mais difícil de aprender é não regar em excesso. É preciso, além disso, utilizar um composto de boa qualidade (Seddon, G.,1980).
O importante é considerar o meio ambiente onde se pretende plantar e escolher a planta que lhe seja apropriada (Kindersley, D., 1984).
As plantas medicinais, aromáticas e condimentares fazem parte da atividade hortícola (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001), sendo, portanto o seu cultivo muito semelhante ao cultivo de uma hortaliça.
Uma planta é um ser vivo fascinante que reagirá a todos os cuidados que lhe dispensar (Kindersley, D., 1984).

2.1.1 – LUZ
A chave de toda a atividade que mantém uma planta viva e em crescimento é o processo denominado fotossíntese. A fotossíntese, que fornece à planta a energia que ela necessita, ocorre em resultado a ação da luz sobre o pigmento verde, a clorofila, presente não só nas folhas e nos caules verdes, como também nas plantas coloridas por outros pigmentos (Kindersley, D., 1984).
Nos seus habitats naturais, as plantas adaptaram-se a quantidades de luz muitíssimo diversas. Plantas que vivem ao nível do solo em florestas tropicais úmidas, por exemplo, florescem a sombra, enquanto os cactos no deserto precisam e recebem plena luz solar. Deve-se proporcionar a cada planta a quantidade de luz que ela requer para se manter saudável e crescer convenientemente (Kindersley, D., 1984).
Direta ou indireta, intensa ou branda, toda planta precisa de luz. Quando a luz é insuficiente, a planta procura espichar seus caules empalidecidos na direção de onde provém sua minguada ração. Depois de uma fase de “anemia” mais ou menos prolongada, acaba morrendo. Sem luz apropriada não há nutrição nem crescimento e nem floração normais para nenhuma planta (Pereira, A., 1978).
Dentro de casa, o melhor lugar para o cultivo de ervas é na varanda ou num peitoril de janela, ou ainda perto dela, por causa da luz solar e do ar fresco (Afitema, 2007).
Qualquer local em que incida pelo menos 5 horas de sol, bem drenado e protegido de ventos frios e fortes, para que as plantas cresçam com vigor, pode ser utilizado para a instalação de uma horta medicinal ou até colocar algum recipiente (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Mesmo em locais onde a iluminação é deficiente (3 a 4 horas de sol), pode-se plantar em vasos, espécies tais como hortelã, poejo, melissa ou menta (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
O essencial é observar se a área disponível recebe diretamente a luz do sol pelo menos durante 2 horas por dia – quanto mais sol, melhor (Guia Rural, 1990).
Para quem mora em casas é relativamente fácil achar pontos suficientemente iluminados para o cultivo de ampla variedade de plantas. Mas os habitantes de apartamentos têm menos opções e muitos deles terão de recorrer à iluminação artificial (Pereira, A., 1978).
Mesmo recorrendo à luz artificial, não se pode esperar reproduzir as condições de luminosidade que a planta consegue em seu meio natural. Numa casa, existe sempre menos luz do que fora (Seddon, G.,1980).
Embora animados pelas melhores intenções, deixamos ao tempo que nos diga se ignoramos ou não as exigências de nossa planta amiga. Os sinais de nosso erro podem ser flagrantes – a morte da planta – ou mais sutis: a planta se resseca e suas folhas permanecem pequenas, as folhas velhas amarelecem, as variegadas se tornam completamente verdes, e as flores nunca desabrocham. Se você detectar um desses sinais, coloque a planta num lugar mais iluminado; mas, atenção: uma mudança demasiado brutal pode ser prejudicial à planta (Seddon, G.,1980).
A maneira mais segura de verificar se uma determinada posição é indicada para uma planta no que respeita ao fator luz é, obviamente, por meio de um fotômetro. No entanto, a quantidade é apenas parte do problema (Kindersley, D., 1984).
As janelas de face norte são as mais bem iluminadas; a seguir vem as de face leste ou oeste, que receberão luz solar direta só de manhã ou de tarde. A luz que entra por essas janelas varia consideravelmente de acordo com as horas, em função da trajetória do sol no céu. Em compensação, a luz de uma janela de face sul, embora mais fraca, é mais constante (Seddon, G.,1980).
De preferência, a produção deve estar voltada para a face norte, já que oferece mais luz e mais calor. A face sul não é recomendada, exceto para espécies adaptadas a climas mais amenos como camomila, calêndula, guaco e dedaleira, já que favorece aos ventos frios. (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
As plantas também respondem às modificações na proporção de luz e escuridão dentro de um ciclo de 24 horas. Esse comportamento é chamado fotoperiodismo. Em muitas espécies o fotoperíodo é o responsável pela germinação das sementes, desenvolvimento da planta e formação de bulbos ou flores (Corrêa Junior, C. et al., 2006). As inúmeras plantas originárias dos trópicos estão acostumadas a dias e noites de duração quase igual, por isso as longas noites das latitudes extremas podem não lhes ser benéficas (Seddon, G.,1980).
A influência da luz nas plantas medicinais pode ser observada em vários trabalhos científicos.
Em geral, a redução do fotoperíodo tem sido associado com decréscimo significativo no teor de óleo essencial, e em algumas plantas afetando a composição do óleo (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).
A produção de biomassa em tanchagem (Plantago major L.), apresentou efeito significativo da intensidade luminosa, onde a produção de matéria seca e fresca em toda a planta, de folhas e inflorescência foi influenciada pelas condições de luminosidade, sendo mais expressivas em maior luminosidade (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).

2.1.2 – TEMPERATURA E UMIDADE
Todas as plantas crescem melhor dentro de uma determinada gama de temperaturas. A maioria pode também tolerar temperaturas ligeiramente superiores ou inferiores aos níveis preferidos, mas morrerá se for exposta durante demasiado tempo a temperaturas fora dessa gama (Kindersley, D., 1984).
Deve-se saber quais são as condições climáticas ideais de cultivo de cada espécie. Por exemplo: a camomila é cultivada no inverno, já o capim limão se desenvolve melhor em climas quentes (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Não convém de um modo geral, expor as plantas a menos de 10º C (embora possam resistir a frio de 5ºC) e nem a mais de 25ºC. Temperaturas muito altas são toleradas só pelas plantas que exigem luz mais abundante do que a que normalmente existe no interior da casa (Pereira, A., 1978).
No tempo frio, uma planta colocada junto de uma janela estará exposta as correntes de ar ou a frio excessivo (Kindersley, D., 1984). O ar rente ao chão é mais frio do que à altura das mesas, outro ponto a considerar (Pereira, A., 1978).
Em solos que oferecerem empecilhos à expansão radicular e com isso à absorção de água, como é o caso do cultivo em recipientes, e em plantas que forem nutridas de maneira incompleta, durante o calor do dia, a fotossíntese será muito reduzida (Primavesi, A., 2002).
A temperatura influencia também a formação de clorofila, cujo nível ótimo é ligeiramente superior ao exigido para o crescimento da planta. Quando essa temperatura não é atingida as plantas se desenvolvem, porém possuem uma coloração amarelada, característica da formação insuficiente de clorofila (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).
A umidade é a quantidade relativa de vapor de água contido no ar e não tem qualquer relação com a umidade do solo. A umidade do ar é medida numa escala de umidade relativa, que vai de 0% (ar absolutamente seco) a 100% (ar saturado). O objetivo deverá ser um nível geral da ordem dos 60%. Esteja atento ao aparecimento de pontas de folhas secas em plantas de folhas longas e estreitas, este é o sintoma comum de umidade insuficiente em redor da planta (Kindersley, D., 1984).
Como a água é um elemento essencial para a vida e o metabolismo das plantas, supõe-se que em ambientes úmidos a produção de princípios ativos seja maior. Porém, alguns estudos mostraram que nem sempre isto é verdadeiro. Alguns trabalhos revelaram que a água reduz o teor de alcalóides produzidos em algumas espécies, como em solanáceas (Datura e Atropa). Com relação aos óleos essenciais, parece ocorrer o contrário, onde de uma maneira geral, se observa um aumento na sua concentração em menor teor de água, como ocorre em capim limão (Cymbopogum citratus) (Corrêa Junior, C. et al., 2006; Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).
Quanto mais finas e mais semelhantes a papel forem as folhas de uma planta, tanto maior será a probabilidade de ela necessitar de uma umidade ambiente elevada. Por outro lado, as folhas espessas e coriáceas suportam melhor o ar seco (Kindersley, D., 1984).
Os jardineiros conseguem elevar a umidade atmosférica nas estufas salpicando o chão com água. Outra maneira é pulverizar com água o ar ao redor das plantas pelo menos uma vez por dia, de preferência de manhã (Kindersley, D., 1984).

2.1.3 – AR
Ao permitir a circulação de ar em torno das plantas de interior, é preciso ter o cuidado de não sujeita-las a mudanças bruscas de temperaturas e muito menos a correntes (Pereira, A., 1978).
O ar é necessário às folhas e as raízes das plantas. Revolver a superfície da terra em torno das plantas ajuda a suprir de ar as raízes. Para fazer isso em vasos, qualquer garfo comum serve (cuidado para não espetar as raízes nem deixar bolsões) (Pereira, A., 1978).

2.1.4 – ÁGUA (REGA)
Qual a quantidade de água que devemos dar a uma planta e quando? A quantidade de água que uma planta requer depende fundamentalmente do tipo de planta e do seu modo de vida natural (Kindersley, D., 1984).
É preciso ter sempre em vista o fato de serem as regas excessivas prejudiciais à planta, bem como as escassas (Pena, L. A., 1960).
O excesso pode acarretar uma maior produção de folhagem, mas pode afetar no aroma nas plantas essenciais (ex: manjericão). A falta de água pode ocasionar um estresse na planta provocando uma florada antecipada (ex: endro) (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).
Evite regar “pouco e frequentemente”, pois “pouco” pode ser demasiado pouco (só a superfície do composto ficará úmida) e “frequentemente” quase sempre levam a um solo encharcado, em que o ar está ausente (Seddon, G.,1980).
Plantas em vasos impermeabilizados (de cerâmica vitrificada, esmaltada, encerada, etc.) ou de plástico precisam de menos regas do que plantas da mesma espécie acondicionada em vasos porosos, como os de barro comuns (Pereira, A., 1978).
Quando em vasos grandes, as plantas precisam de menos rega do que se estivessem em vasos pequenos, nos quais a reserva seria obviamente menor (Pereira, A., 1978).
Nenhuma planta deve ser regada a intervalos regulares, e sim quando precisar (Pereira, A., 1978). O sinal mais evidente de que uma planta precisa de água manifesta-se nas suas folhas, que se apresentam pendentes ou murchas. Esta indicação não é, contudo, a mais útil, pois pode vir demasiado tarde (Kindersley, D., 1984). A atitude mais razoável consiste em examinar a planta regularmente, uma vez por semana no frio, cotidianamente no calor. Se a superfície do solo parecer seca, enterre o dedo na terra para ver como ele está por baixo. Se o solo estiver seco em profundidade, regue cuidadosamente. Esse método, com um pouco de prática, é relativamente confiável (Seddon, G.,1980).
As plantas têm mais necessidade de água quando dão folhas novas ou quando começam a brotar (Seddon, G.,1980).
A aplicação da água pode ser feita de várias maneiras; no jardim e áreas externas basta usar a mangueira ou o regador de modo que a água caia abundantemente, mas em gotas, sobre as folhas e a terra. Já com plantas de vasos uma boa regra é a de não despejar água sobre as folhas (Pereira, A., 1978). Escolha um regador leve com um bico comprido e estreito que permita orientar o fio de água diretamente para a superfície escondida pela folhagem ou para vasos separados colocados em grupo (Kindersley, D., 1984). Hertwig, I.F.V. (1986), recomenda, no entanto, não molhar as folhas por ocasião das regas para evitar riscos de contaminações.
A água da rega deve ser de boa qualidade, tendo o cuidado para verificar o local onde se coleta esta água (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).

2.1.5 – ALTITUDE
Altitude é a altura de uma região em relação ao nível do mar. Na medida em que aumenta a altitude, diminui a temperatura (cerca de um grau a cada 200 metros) e aumenta a intensidade luminosa, interferindo no desenvolvimento das plantas e na produção de princípios ativos (Corrêa Junior, C. et al., 2006; Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).

2.1.6 - LATITUDE
Refere-se à distância de determinada região em relação à linha do Equador, para o sul ou para o norte. Numa latitude equivalente, norte e sul, o comportamento das plantas é diferente. Por exemplo, no caso da trombeteira (Datura stramonium e Hyoscimus sp), plantas cultivadas em latitude sul são mais ricas em alcalóides que as cultivadas em latitude norte equivalente. As diferenças estão relacionadas, entre outras, com a inclinação da Terra e a influência das correntes marítimas sobre o clima. Devido a esses fatores algumas espécies originárias do hemisfério norte não florescem ou não frutificam no hemisfério sul. Exemplos: alecrim (Rosmarinus officinalis), tomilho (Thymus vulgaris) e erva-doce (Pimpinella anisum) (Corrêa Junior, C. et al., 2006).

2.1.7 – RECIPIENTES
Há dezenas de alternativas para a produção de hortaliças. Vasos de cerâmica, latas velhas, caixas de madeira, concreto armado, pneus, bacias, calhas feitas de canos PVC e até garrafas plásticas do tipo PET. Maiores possibilidades de cultivo proporcionam as floreiras – ou “horteiras” – nas janelas (Guia Rural, 1990; Jornal A Tarde, 2007).
O segredo é garantir que tenham pelo menos um palmo de profundidade (cerca de 20 cm) para a mistura de terra e composto orgânico (Afitema, 2007; Associação Ituana de Proteção Ambiental, 2008; Programa Municipal Fitoviva, 2008).
O cultivo de plantas em vasos e jardineiras requer cuidados e conhecimentos especiais, embora simples, que são em geral ignorados, ocasionando a perda de plantas fáceis de cultivar (Pena, L. A., 1960). Tem grande importância a escolha do material a empregar, dimensões, formas e natureza dos vasos, que devem estar de acordo com os vegetais a cultivar (Pena, L. A., 1960).
Os vasos de barro oferecem maior proteção contra o excesso de água (Kindersley, D., 1984). A evaporação da umidade nos vasos de cerâmica se faz com rapidez, especialmente nos climas muito secos, não só pela superfície da terra contida como pelas próprias paredes dos vasos de barro (Pena, L. A., 1960), portanto plantas em vasos de plástico, de material PVC ou em latas necessitam de regas menos freqüentes que as cultivadas nos tradicionais vasos de cerâmica porosa (Seddon, G.,1980), além da vantagem de não serem frágeis (Pena, L. A., 1960).
Os vasos de concreto armado têm a vantagem da durabilidade e alguma impermeabilidade, aliada aos inconvenientes do preço e do peso. Já os vasos de madeira, relativamente baratos, são pouco duráveis (Pena, L. A., 1960).
Os vasos feitos pneus e garrafas PET além de práticos custam pouco, podendo ser encontrados de graça (Globo Rural, 2006).
Os vasos são normalmente redondos, havendo também quadrados. A escolha desta ou daquela forma é simplesmente uma questão de gosto (Kindersley, D., 1984).
Na escolha das dimensões dos vasos devemos levar em consideração qual a planta pretendemos ali cultivar. A hortelã, por exemplo, consegue se desenvolver em vasos menores, de 20 cm de diâmetro por 20 cm de altura (Guia Rural, 1990). Devem-se usar recipientes de pelo menos 20 cm de profundidade para plantas de altura que não ultrapasse 50 cm, semelhante ao poejo, hortelãs, melissa, macelinha, cânfora-de-jardim e centelha-asiática. Algumas plantas necessitam de profundidades muito maiores como, por exemplo: alecrim, sálvia, manjericão e boldo-da-terra e outras podem ficar nos vasos por certo período de tempo como, por exemplo, louro, sabugueiro e favacão (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Deve haver furos no fundo dos vasos para evitar encharcamentos e uma camada de pedras, de forma a permitir que o excesso de água saia. No fundo do vaso coloque uma ligeira camada de areia mais grossa, ou de cascalhos, ou de caco de vasos ou telhas, para facilitar a drenagem da água para os furos. (Guia Rural, 1990; Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Em vasos de plástico com numerosos orifícios pequenos, o material de drenagem raramente é necessário. Num vaso de barro com um furo de drenagem grande é suficiente cobri-lo com um simples caco de barro com o lado côncavo para baixo (Kindersley, D., 1984).

2.1.8 – MISTURAS DE ENVASAR E ABUBAÇÃO
Os centros de jardinagem têm à venda uma grande variedade de misturas de envasar já preparadas (Kindersley, D., 1984).
Seria ao mesmo tempo simples e barato apanhar um pouco de terra em qualquer lado e pô-la num vaso, se com isso se satisfizessem as necessidades das plantas. A terra, porém, varia enormemente em qualidade e textura, e muitas vezes encontra-se contaminada com larvas ou ovos de parasitas e também com sementes de ervas daninhas. Assim, se conhecer uma casa de confiança, é preferível utilizar uma mistura já pronta ou prepara-la (Kindersley, D., 1984).
Uma sugestão é para cada três partes de terra (é bom peneirar antes de usar) acrescente uma parte de esterco de curral bem curtido (quando ele está bem seco). Se for usar esterco de galinha, a proporção será menor: quatro partes de terra e uma de esterco (Guia Rural, 1990).
Outra opção seria para cada 50 litros de terra, use 100 gramas de calcário, 34 litros de esterco bovino curtido e 200 gramas de adubo NPK 4-14-8. Adubações complementares podem ser feitas a cada 30 dias com um copo de 200 ml de adubo orgânico curtido, por vaso ou planta (Marinho, A. G. et al., 2008). Apesar desta recomendação, vale lembrar que o uso de adubos químicos podem alterar a composição da planta, tirando seu valor medicinal e até provocando efeitos negativos na saúde das pessoas e sobre o ambiente (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Uma boa opção, aqui baseado em metragem quadrada de canteiro, é usar 150g de fosfato, fazer a correção básica do solo usando 150g de cal dolomítico e acrescentar 2 litros de húmus; todas as recomendações por metro quadrado de canteiro (Herbário, 2008).
Quem dispuser de meios para fazer o composto orgânico não precisará preocupar-se com a aquisição de adubos ou esterco (Pena, L. A., 1960).
A importância da boa nutrição das plantas é observada em inúmeros trabalhos científicos. Em Phyllanthus niruri L. (quebra pedra) quando se aplicou uma adubação nitrogenada visando maior produção econômica de matéria seca, aumentou também o teor de alcalóides totais na parte aérea (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001). As proporções entre limoneno, mentona, mentol e metil acetato do óleo essencial da Mentha arvensis L. (menta) são alteradas pelas condições de nutrição da planta (Maia, N. B., 1998).
De modo geral deve-se tomar cuidado para não adubar em excesso as plantas aromáticas. Altas disponibilidades de nutrientes, principalmente do nitrogênio, promovem uma grande produção de massa de folhas, que não é acompanhada pela produção de substâncias importantes do óleo essencial, resultando em plantas bonitas, mas com ouço aroma (Blanco, M. C. S. G., 2007).
Uma adubação equilibrada é a chave para a obtenção de plantas mais resistentes a pragas e doenças, e também com maiores teores de fármacos, sem comprometer a produção de massa verde (Oliveira, E. J. et al., 1999).

2.1.9 – PODA
As plantas podem, por vezes, tornarem-se grandes e desequilibradas, havendo então que recorrer à poda para evitar ou remediar qualquer destas situações (Kindersley, D., 1984).
Podar uma planta não desencoraja o seu crescimento, muito pelo contrário. Os ramos terminais da maior parte das plantas, quando cortados, são logo substituídos por novos brotos (Seddon, G.,1980).
A poda adequada regula a quantidade e a qualidade de flores e frutos. Certas plantas prejudicam a si mesmas e a plantas vizinhas pelo crescimento excessivamente denso dos próprios ramos e folhas. A poda criteriosa, nesses casos, é uma prevenção higiênica, que facilita a respiração, a transpiração e a iluminação e, desse modo, dá à planta melhores condições de proteção às doenças (Pereira, A., 1978).

2.1.10 – PROPAGAÇÃO
A obtenção de mudas para o plantio pode ser feita de diversas maneiras. Por sementes ou por um dos métodos de propagação vegetativa, que são aqueles que envolvem outras partes da planta (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Na revisão bibliográfica das plantas medicinais estão indicados os métodos de propagação das mesmas.

2.1.11 – PRAGAS E DOENÇAS
A melhor maneira de preservar a saúde das plantas é proporcionar-lhes boas condições de desenvolvimento, pois os problemas, na sua maioria, têm origem em cuidados inadequados (Kindersley, D., 1984).
As pragas são os insetos que atacam as plantas, comendo suas folhas e brotações tais como as lagartas, vaquinhas e besouros, ou sugando a seiva da planta, como os pulgões, percevejos, cochonilhas, tripes ou parasitando os frutos como as larvas de moscas e mariposas, ou ainda cavando galerias no caule, como as larvas de borboletas, mariposas e certas espécies de besouros conhecidos como “brocas” (Giacometti, D. C., 1983).
As doenças têm vários agentes causadores: os fungos geralmente causam manchas nas folhas, podridões tanto das raízes como da parte aérea, inclusive dos frutos; as bactérias cujos danos se assemelham àqueles causados pelos fungos; os nematóides, pequenos vermes do solo que atacam as raízes. Os vírus são microrganismos presentes no interior da planta, invisíveis mesmo pelo microscópio comum e podem causar perdas parciais ou totais (Giacometti, D. C., 1983).
Grande parte das doenças resulta de um cultivo deficiente, e as suas causas mais comuns são fatores como um ar excessivamente seco ou úmido, a falta de arejamento entre plantas próximas e excesso de água. De uma maneira geral, é fácil tratar estes problemas uma vez detectados. É, porém, mais difícil proteger as plantas da enorme variedade de pragas suscetíveis de as atacarem (Kindersley, D., 1984).
Crie o hábito de examinar suas plantas quando as aguar, adubar ou simplesmente ao admirá-las; desse modo você descobrirá imediatamente as anomalias, se houver. E não esqueça que as folhas têm faces inferiores (Seddon, G.,1980).
Considerando a tendência mundial da busca por produtos naturais e sendo as plantas medicinais destinadas a pessoas com algum tipo de debilidade, é fundamental que estejam livres de agroquímicos. Os processos de secagem e extração podem concentrar os agrotóxicos. O uso de adubos químicos e de agrotóxicos podem alterar a composição da planta, tirando seu valor medicinal e até provocando efeitos negativos na saúde das pessoas e sobre o ambiente (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Para o controle específico das pragas e doenças mais comuns nas plantas medicinais, recomenda-se a leitura das seguintes publicações: Alternativas ecológicas para prevenção e controle de pragas e doenças, BURG & MAYER (1999); Práticas alternativas de controle de pragas e doenças na agricultura (Coletânea de receitas), de ABREU JUNIOR (1998) e Receituário caseiro: alternativas para controle de pragas e doenças de plantas cultivadas e de seus produtos, GUERRA (1985) (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Pode-se ir, também, a um centro de jardinagem ou a algum comércio de produtos agropecuários e pedir orientações ao responsável.

2.1.12 – COLHEITA
Todo um trabalho de cultivo e manejo pode se perder quando não se dá a devida atenção às etapas de colheita, secagem, embalagens e armazenagem (Pereira Pinto, J. E. B. et al., 2001).
O ponto de colheita varia segundo órgão da planta, estádio de desenvolvimento, época do ano e hora do dia. A distribuição das substâncias ativas, numa planta, pode ser bastante irregular, assim, alguns grupos de substâncias localizam-se preferencialmente em órgãos específicos do vegetal (Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
Embora cada espécie tenha suas necessidades específicas, há diretrizes gerais para a colheita destinadas ao uso medicinal. Quando as folhas são a parte da planta a ser usada no preparo de um remédio, como as da Urtica dióica (urtiga), por exemplo, devem ser colhidas logo que a planta começa a florir. Quando as flores são a parte usada, como as da Calendula officinalis (calêndula), por exemplo, devem ser colhidas quando estiverem completamente abertas. Quando partes do sistema radicular devem ser usadas, então devem ser colhidas assim que as partes aéreas da planta começarem a murchar (Eldin, S. et al., 2001).
Deve-se fazer a colheita com tempo seco, de preferência, e sem água sobre as partes, como orvalho ou água nas folhas. Assim a melhor hora da colheita é pela manhã, logo que secar o orvalho das plantas. Evitar a colheita de plantas doentes, com manchas, fora do padrão, com terra, poeira, órgãos deformados, etc. (Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
Deve-se salientar que a colheita das plantas em determinado ponto tem o intuito de obter o máximo teor de princípio ativo, no entanto, na maioria das vezes, nada impede que as plantas sejam colhidas antes ou depois do ponto de colheita para uso imediato. O maior problema da época de colheita inadequada é a redução do valor terapêutico e/ou predominância de princípios tóxicos, como no confrei (Symphitum ssp.) (Herbário, 2008).
As plantas medicinais devem ser colhidas em locais limpos e sem contaminação, para que não haja necessidade de lavar. As flores e folhas não devem ser lavadas, se houver necessidade secar rapidamente com um pano limpo. As cascas são raspadas para retirar a sujeira e cortadas em tiras para secarem mais rápido. As raízes são lavadas e cortadas em fatias bem finas. Retirar as partes da planta que estejam amareladas, enrugadas ou com algum sintoma de doença (Coletto, L. M. M. et al., 2008).
Várias são as plantas que a colheita pode ser na medida do seu consumo. Sendo o recomendado colher de acordo com a necessidade, como a Mentha sp., Ocimum basilicum, Cymbopogon citratus (Guia Rural, 1990).
O consumo de plantas medicinais frescas garante ação mais eficaz dos princípios curativos, entretanto, nem sempre se dispõe de plantas frescas para uso imediato(Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
A secagem pode ser feita de muitas maneiras; quando o clima é adequado, as plantas podem ser postas ao ar livre, mas onde faz muito frio ou há muita umidade as plantas são colocadas para secar em galpões especiais, onde as condições podem ser controladas com grande precisão. Isso tem a vantagem de que o processo de secagem pode ser muito rápido e o resultado mais uniforme. A cor das folhas em geral é preservada, assim como o perfume das espécies aromáticas. As plantas medicinais secas ao ar livre – isto é, aquelas guardadas em sacos de pano, fardos, sacos de papel etc. ainda vão reter aproximadamente 10% de água; se lhes for permitido absorver mais ar úmido, podem deteriorar (Eldin, S. et al., 2001).
Na revisão bibliográfica referente ao cultivo das espécies, as informações relacionadas à colheita serão abordadas especificamente para cada espécie.

2.2 – QUANTIDADES E UNIDADES DE MEDIDAS
Ao utilizarmos uma planta medicinal, ela pode estar fresca ou seca, portanto, dependendo do estado em que ela se encontra, vamos utilizar quantidades diferentes. Uma planta após secagem pode perder metade do seu peso inicial, devido a perda de água. Desta forma ao utilizar uma planta fresca devemos usar o dobro da quantidade da planta seca (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Muitas vezes encontramos a citação da quantidade da planta em peso ou do volume a ser utilizada, mas às vezes não dispomos de uma balança em nossa casa. Para medir volumes podemos usar uma mamadeira que vem com a indicação do volume ou então utilizar correspondências aproximadas, como as sugeridas: (Programa Municipal Fitoviva, 2008).
Para outras medidas, pode-se basear na seguinte relação:

● Segundo Coletto, L. M. M. et al.(2008):
1 colher pequena......................................... 4-6 g de raízes seca e triturada
1 colher pequena......................................... 1-6 g de folhas secas e trituradas
1 colher grande............................................ 8-10 g de raízes secas e trituradas
1 colher grande............................................ 3-5 g de folhas
1 pitada ....................................................... 1-2 g de flores ou sementes

● Segundo Oliveira, R. M. S. C. de (2006); Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic (2008) ; Herbário, (2008):
1 colher de chá de raízes secas = 4 g
1 colher de chá de folhas verdes (frescas) = 2 g
1 colher de sopa de raízes ou cascas secas = 20 g
1 colher de sopa de folhas verdes (frescas) = 5 g
1 colher de sopa de folhas secas = 2 g

2.3 – IDENTIFICAÇÃO
Quando se pensa em trabalhar com plantas medicinais, seguramente o principal cuidado a ser tomado é a correta identificação da espécie (Almassy júnior, A.A. et al., 2005).
Uma situação curiosa e até perigosa é o fato de uma mesma planta possuir um ou mais nomes populares ou, ainda, diversas plantas possuírem o mesmo nome popular. Um exemplo é o caso do nome popular “erva cidreira” utilizado para três espécies diferentes: Cymbopogon citratus, Melissa officinalis e Lippia alba. Outro exemplo muito comum é chamar “hortelã pimenta” tanto para Ocimum gratissimum quanto para Mentha sp, porém, as duas possuem óleos essenciais com composição diferente (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Os nomes populares das plantas variam de um país para outro, de uma região para outra dentro do mesmo país e até na mesma cidade (Pereira, A., 1978). É necessário tratar a planta pelo nome científico. A identificação segura, com o binômio latino correto poderá ser feita por botânicos, agrônomos ou profissionais com experiência na área (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
A revisão bibliográfica das plantas medicinais começa justamente com a sua descrição botânica, e ao fim da revisão bibliográfica geral há o glossário de termos botânicos e desenhos representativos de algumas partes de uma planta, de forma a facilitar a identificação correta das espécies.

Resumo

RESUMO


As plantas medicinais utilizadas há anos pelas mais antigas civilizações têm reconquistado a população nas últimas décadas. O número de programas de fitoterapia é cada vez maior. Por ser um produto natural, que atende as necessidades básicas de saúde, além de seu baixo custo e compatibilidade cultural com as tradições populares, o uso de plantas medicinais vem facilitando o acesso das populações carentes a medicamentos. Contudo o acesso muitas vezes fácil às plantas esbarra em problemas ambientais como a coleta indiscriminada, que pode levar a extinção de espécies; há ainda problemas de engano na coleta do material, falta de padrão e qualidade do produto, bem como a presença de impurezas. Visto que se cultivam há séculos plantas ornamentais, alimentícias e medicinais nos pátios dos prédios, nos quintais, casas e em recipientes como vasos, teve este trabalho como objetivo geral, trazer informações a respeito do cultivo de espécies medicinais nestes locais, bem como a identificação e uso das mesmas. Contudo, a limitação de um trabalho de revisão bibliográfica não permitiu avaliar a influência deste habitat artificial na concentração dos teores dos princípios ativos das espécies. Fica a esperança que este trabalho possa contribuir com futuras pesquisas acerca do tema.

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I - INTRODUÇÃO
O uso de plantas medicinais no tratamento de problemas de saúde sempre esteve presente na história da humanidade. Se durante algumas décadas do último século, em grande parte dos países ocidentais, a fitoterapia foi considerada tratamento atrasado e ineficiente, hoje ela desponta como uma das formas de busca pelo reequilíbrio orgânico, mental e emocional mais procuradas e crescentemente adotadas por nossa sociedade. (Almassy júnior, A.A. et al., 2005).
Sob esse nome complicado – fitoterapia – esconde-se, na verdade, a forma de tratamento mais simples e mais natural. A idéia é ancestral: tratar as doenças ou preveni-las graças a certos preparados vegetais ou aos princípios ativos que deles se pode extrair (Maury, E. A. et al., 19--).
Cresce em todo mundo a procura por produtos naturais, bem como medicamentos originários de plantas medicinais (Corrêa Junior, C. et al., 2006). Várias preparações medicamentosas caseiras, como os chás podem ser feitas para a cura de problemas comuns de saúde, como gripe e má digestão (Blanco, M. C. S. G., 2007).
Nos últimos anos o uso de plantas medicinais vem aumentando entre a população, não se restringindo somente a zonas rurais ou regiões desprovidas de assistência médica e farmacêutica. A Fitoterapia está sendo utilizada intensamente no meio urbano como forma alternativa ou complementar aos medicamentos alopáticos (Pardo, V. A., 1998).
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 80% da população mundial fez o uso de algum tipo de erva na busca de alívio de alguma sintomatologia dolorosa ou desagradável (Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
Devido aos custos elevados da aquisição de medicamentos e/ou a deficiência da rede pública de assistência primária de saúde, cerca de 80% da população brasileira não tem acesso aos medicamentos ditos essenciais. As plantas medicinais, que têm avaliadas a sua eficiência terapêutica e a toxicologia ou segurança do uso, dentre outros aspectos, estão cientificamente aprovadas a serem utilizadas pela população nas suas necessidades básicas de saúde, em função da facilidade de acesso, do baixo custo e da compatibilidade cultural com as tradições populares (Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
O problema do acesso aos medicamentos pela população carente justifica a implantação de programas alternativos de produção e utilização de produtos originados de plantas medicinais. Com isso, desenvolvem-se bases tecnológicas próprias que possibilitem a produção de medicamentos fitoterápicos e o fornecimento destes com regularidade, a custos acessíveis e com a efetividade necessária (Coletto, L. M. M. et al., 2008).
Em todo o Brasil se multiplicam os programas de fitoterapia, apoiados pelo serviço público de saúde. Têm-se formado equipes multidisciplinares responsáveis pelo atendimento fitoterápico, com profissionais encarregados do cultivo de plantas medicinais, da produção de fitoterápicos, do diagnóstico médico e da recomendação destes produtos (Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
Segundo a Associação Nacional de Fitoterapia em Serviço Público (Associofito), em 2001 mais de 2.000 municípios brasileiros já incorporavam o uso de plantas medicinais em Serviços Públicos de Saúde, e a tendência é que esse número aumente, pois cada vez mais prefeituras estão adotando esta prática (Almassy júnior, A.A. et al., 2005).
Uma vez que as plantas medicinais são classificadas como produtos naturais, a lei permite que sejam comercializadas livremente, além de poderem ser cultivadas por aqueles que disponham de condições mínimas necessárias (Paróquia Santuário São Leopoldo Mandic, 2008).
A maioria das plantas medicinais utilizadas pela população é nativa, ou seja, cresce espontaneamente nas mais diferentes formações vegetais do país. A coleta indiscriminada dessas plantas pode levá-las à extinção. Essa atividade aumenta a possibilidade de engano do material coletado, com espécies vegetais trocadas e representa um risco de depredação do patrimônio genético vegetal (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Em um levantamento verificou-se que 50% das plantas medicinais comercializadas, in natura ou embaladas, apresentam-se fora do padrão. Portanto, o produto utilizado pela população, principalmente urbana, pode não ter as propriedades terapêuticas e aromáticas preconizadas e/ou pode estar contaminado por impurezas (terra, areia, dejetos animais, outras espécies vegetais) e coliformes fecais. A fiscalização oficial tem ação incipiente e como conseqüência, os produtores oferecem produtos de baixa qualidade (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
Para garantir a segurança do uso de plantas medicinais e seus derivados são necessários não apenas medidas de controle, mas, também um esforço substancial em informar o público e para educação profissional (Corrêa Junior, C. et al., 2006).
O cultivo de plantas medicinais é muito importante para o controle de qualidade de fitoterápicos, pois o risco de adulteração ou troca por outras matérias-primas vegetais é quase totalmente eliminado (Universidade On-Line de Viçosa, 2007).
Qualquer pessoa que tenha um espaço livre em casa (varanda, cobertura, terraço, quintal, área de serviço) com alguma incidência de sol pode se dar ao luxo de cultivar desde temperos, ervas medicinais e aromáticas até hortaliças e legumes frescos, livres de produtos químicos (Hortinha, 2008).
Mesmo quando se consegue encontrar exatamente a espécie que se procura não se pode escapar, o mais das vezes, ao desagradável sentimento de não saber como cultivá-la (Seddon, G.,1980).
Diante desses fatos nota-se a necessidade da população em ter acesso a essa alternativa terapêutica, de forma a cultivar suas próprias plantas medicinais ou parte delas em sua residência ou em hortas medicinais, as chamadas “farmácias vivas”.
O presente trabalho tem por objetivos:
a) Descrever as possibilidades de cultivo de determinadas espécies medicinais em recipientes e jardins (pequenos espaços);
b) trazer informações para a identificação dessas mesmas espécies medicinais;
c) informar dos cuidados com o uso;
d) orientar em relação à transformação da planta em medicamento terapêutico, de forma que a abordagem aqui escolhida foi por métodos simples.

Capa e sumário.




RODOLFO DAS CHAGAS VIANA

CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS EM RECIPIENTES E JARDINS (PEQUENOS ESPAÇOS) - UMA REVISÃO -

Monografia apresentada ao Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Plantas Medicinais: manejo, uso e manipulação, para a obtenção do título de especialista em Plantas Medicinais.
Aprovada em 17 de julho de 2008.

Orientador: Prof. José Eduardo Brasil Pereira Pinto.

LAVRAS - MINAS GERAIS - BRASIL - 2008



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AGRADECIMENTOS

A Deus, a sua imensidão e sabedoria.
Aos meus amados Claudia Socorro Domingues Fernandes e Gabriel Domingues Viana, esposa e filho, com todo o carinho.
Ao meu grande amigo e pai, Antonio das Chagas Viana.
A minha mãe, Otacília Milagre Viana, que sempre vi alegremente conversando com suas plantas e que vinha a me socorrer, nos momentos de enfermidades, com seus chás e remédios feitos com ervas cultivadas em nossa antiga morada, vizinhança e compradas nos mercados de Belo Horizonte.
E por fim, a minha sogra, meus irmãos, cunhadas e sobrinhos.

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SUMÁRIO

RESUMO - 07 p.
LISTA DE FIGURAS - 08 p.
I - INTRODUÇÃO COM OBJETIVOS - 09 p.
II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA - 13 p.
2.1 – Cultivo de Plantas Medicinais em recipientes e jardins - 13 p.
2.1.1 - Luz - 15 p.
2.1.2 – Temperatura e umidade - 19 p.
2.1.4 – Água (rega) - 20 p.
2.1.5 – Altitude - 21 p.
2.1.6 – Latitude - 21 p.
2.1.7 – Recipientes - 22 p.
2.1.8 – Misturas de envasar e adubação - 24 p.
2.1.9 – Poda - 25 p.
2.1.10 – Propagação - 26 p.
2.1.11 – Pragas e doenças - 26 p.
2.1.12 – Colheita - 28 p.
2.2 – Quantidades e unidades de medidas - 30 p.
2.3 – Identificação - 31 p.
2.4 – Monografia das Plantas Medicinais - 32 p.
2.4.1 – Ageratum conyzoides L - 32 p.
2.4.2 – Aloe vera (L.) Burm. f. - 36 p.
2.4.3 – Baccharis trimera (Less.) DC. - 41 p.
2.4.4 – Cymbopogon citratus (DC) Stapf - 46 p.
2.4.5 – Lippia alba (Mill) N. E. Brown - 53 p.
2.4.6 – Lippia sidoides Cham - 56 p.
2.4.7 – Melissa officinalis L. - 60 p.
2.4.8 – Mentha sp. - 65 p.
2.4.9 – Mikania glomerata Spreng - 68 p.
2.4.10 – Ocimum basilicum L. - 73 p.
2.4.11 – Passiflora edulis Sims - 79 p.
2.4.12 – Phyllanthus niruri L. - 84 p.
2.4.13 – Plantago major L. - 88 p.
2.4.14 – Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng - 92 p.
2.4.15 - Plectranthus barbatus Andrews - 95 p.
2.4.16 – Ruta graveolens L. - 99 p.
2.4.17 – Solidago chilensis Meyen - 107 p.
2.4.18 – Vernonia condensata Baker - 110 p.
2.5 – Glossário de termos botânicos - 114 p.
2.6 – Figuras - 122 p.
III – Considerações Finais - 124 p.
IV – Referências Bibliográficas - 125 p.
V – Anexos - 136 p.